Thursday, January 25, 2018

Reservas Lightalive (parte 4)



                                                     Reserva «Quinta de Óbidos»


Trata-se sobretudo de um pomar biológico (sem qualquer uso de pesticidas) de cerejas, pêssegos e ameixas, com algumas silvas, giestas e madressilvas a delimitar os limites do terreno.
Também existe a produção de ervas aromáticas e hortícolas.
Em alguns locais, domina a vegetação espontânea (que se encontra em expansão) e crescem plantas como a Equisetum sp.
Existem 2 nascentes de água (permanentes), 2 poços, 1 charco temporário e 2 ribeiras temporárias.
A parte mais baixa desta quinta, está inserida na Rede Natura.
Aqui existe uma variada fauna de vertebrados (sobretudo nas zonas mais baixas do vale): javali, coelho-bravo, perdiz-vermelha, texugo, raposa, águia-de-asa-redonda, gavião, peneireiro-vulgar, bufo-real, coruja-das-torres, coruja-do-mato, mocho-galego e uma enorme variedade de passeriformes.
Existe uma boa probabilidade do gato-selvagem (Felis silvestris silvestris) estar aqui presente, (reforçada por escutas e possíveis avistamentos, mas também por que a sua presença aparece como confirmada, para locais próximos).
Estão aqui presentes o maior lagarto da Europa (sardão), assim como a maior cobra da Europa (cobra-rateira). As cobras são vistas muito raramente e têm o hábito de fugir, assim que dão com uma pessoa.
Na quinta, nota-se o aparecimento da vegetação nativa (salgueiro (Salix sp.), pinheiro-bravo, aderno, medronheiro, loureiro, carvalho-cerquinho, sobreiro, entre outros), desde que se começou a adoptar por um modo de produção biológico. 
Muitos animais usam esta quinta como zona de passagem, de hibernação (ou estivação), de caça, de pastoreio, mas também como zona de reprodução.
Estão presentes, nesta quinta, pelo menos, 3 espécies de Lampirídeos: Luciola lusitanica, Lampyris iberica e Lamprohiza paulinoi
A espécie Luciola lusitanica, pode atingir aqui grandes concentrações (em anos mais favoráveis,  várias centenas de adultos podem aparecer). 
A caracoleta da espécie Cornu aspersum, atinge aqui um tamanho enorme (acima dos 40 mm em comprimento de concha).
São praticamente todos os meses do ano, em que se vê atividade dos pirilampos à superfície (do solo), seja, na forma adulta ou larvar.
Aqui também foi observada bioluminescência em espécies de cogumelos e de oligoquetas.
Curiosidades/Peculiaridades: Fica numa zona de transição climática, situando-se ligeiramente a Norte da Serra de Montejunto e portanto tal reflecte-se também na fauna presente, em que lado a lado, convivem, relas-meridionais (Hyla meridionalis), relas-arborícolas-europeias (Hyla arborea), sapos-parteiros (Alytes obstetricans), sardões (Lacerta lepida), lagartos-de-água (Lacerta schreiberi) entre outras variadas espécies de anfíbios e répteis.
A biomassa de micromamíferos e invertebrados, é aqui também bastante assinalável.
Algumas fotos do local podem ser vistas embaixo, e aqui também  (link).



Cerejeiras começam a florir


                                          Existem aqui muitas espécies de cogumelo


                                                                                 



A romper com as chuvas outonais


                           
Encosta virada para Noroeste





                                               Reserva Lightalive «Jardim da Parede»


Uma autêntica «microreserva» em meio praticamente urbano, sendo sobretudo preenchida por um relvado, por árvores e arbustos exóticos (Cupressus sp, Cotinus coggygria e Pittosporum tobira), mas também por algumas espécies autótones (folhado, alecrim e hera).
Está confirmada a presença de uma população de Pomatias elegans neste jardim (assim como de outras espécies de moluscos terrestres, como Otala lactea, Cornu aspersumTheba pisana e Arion sp.).
Nos últimos 2 anos (desde que os moradores atuais se mudaram para este local), tem sido sempre registada a presença de Lamprohiza paulinoi, neste jardim.
Neste jardim, não são usados pesticidas.
Algumas zonas junto aos muros (onde sobretudo aparece este pirilampo), são deixadas sem perturbação (nomeadamente com troncos, pedras calcáreas e uma boa quantidade de húmus). 
A vegetação mais densa e os muros altos, protegem uma boa parte do jardim, do excesso de poluição luminosa artificial (iluminação pública) vinda do exterior, e dentro do jardim apenas se usa luz caso seja mesmo necessário e durante o menor tempo possível.
Curiosidades/Peculiaridades: Está situada a cerca 150 metros da praia (que é uma reserva natural e onde tem sido registada a presença de bioluminescência marinha (produzida por vários seres vivos, como dinoflagelados, ofiuroides, etc...) .


Folhado (Viburnum tinus)



Caracol  de aspeto singular (Pomatias elegans)



Possuem um opérculo calcificado



Wednesday, January 24, 2018

Reservas Lightalive (parte 3)





                                             Reserva Lightalive «Quinta de Lagos»

É uma quinta localizada em Lagos, no Algarve, em que parte é um jardim e a outra parte é uma zona arborizada  (sobretudo com oliveiras, amendoeiras, mas também alfarrobeiras, azinheiras e sobreiros).
Não existe iluminação artificial no local, nem são usados pesticidas.
Os pirilampos têm sido encontrados sobretudo na zona de jardim, que é regada e fica junto a tradicionais muros de pedra.
É feito um controle de ervas secas para prevenir os incêndios 
As espécies de pirilampo encontradas, têm sido Lampyris iberica e Nyctophila reichii.
Curiosidades/peculiaridades: Em estudos realizados na quinta, em que é utilizada uma luz para atrair borboletas, têm aparecido muitos pirilampos.
Foi aqui feito o primeiro registo para Portugal, da espécie Garella nilotica.

Aqui seguem umas fotos tiradas neste espaço:


Macho de Nyctophila reichii


Larva de Nyctophila reichii


Cassida vitata



Luz de fêmea adulta de Lampyris iberica


Zeuzera pyrina


Acherontia atropos


Ophiusa tirhaca


Atrocita sp.


Eteobalea isabellella


Empusa pennata



                                        Reserva Lightalive «Quinta Ecológica da Moita»


É  uma quinta ecológica, situada na região de Aveiro, onde se pretende a dinamização de atividades relacionadas com a Educação Ambiental.
Possue um programa anual de atividades (e a observação de pirilampos, já foi realizada nesta quinta).
Não são aqui usados pesticidas e a luz artificial apenas se encontra presente junto à casa da quinta, tendo portanto, condições excelentes para os pirilampos (Luciola lusitanica e Lampyris sp.), que têm sido observados na quinta.
Existe no entanto a grande possibilidade de existirem mais espécies bioluminescentes (e não só de pirilampos).
Dentro desta quinta, que está situada relativamente perto da Ria de Aveiro, existe uma mata e uma horta biológica.
Curiosidades/Peculiaridades: A Quinta Ecológica da Moita, surgiu a partir de um protocolo de parceria entre a Santa Casa de Misericórdia de Aveiro (SCMA) e a Associação Portuguesa de Educação Ambiental (ASPEA).
Aqui seguem umas fotos desta reserva:


Aspeto de alguma da vegetação presente


Existe um desenvolvimento arbóreo notável


É um espaço aberto ao público



Reservas Lightalive (Parte 2)



                                   Reserva Lightalive «Quintinha de Paços de Ferreira»


Trata-se de uma quintinha, onde se cultiva vinha, produtos horticolas e onde existe um pequeno relvado (o uso de químicos, está a ser reduzido, para permitir a sobrevivência e a recuperação de uma pequena população de pirilampos presente neste pequeno espaço).

Várias fêmeas e larvas de Lampyris sp. têm sido fotografadas e observadas, desde há 7 anos.
Existem zonas escuras, protegidas da luz artificial.

Curiosidades/Peculiaridades: Foi instalada luz LED, na iluminação pública da região.
Aqui seguem duas fotos desta nova reserva: 


Larva de Lampyris sp.


Fêmea adulta de Lampyris sp.




                                             Reserva Lightalive «Quinta do Roseiral»


Situada na região de Coruche, tem sobretudo um bosque misto de zambujeiro, carvalho-cerquinho e sobreiro, que se encontra em expansão. 
Depois também estão presentes a esteva (Cistus ladanifer), a espécie Serapias strictiflora,  uma espécie de Lavandula, e mais outras tantas espécies.
Aqui existem espécies de mamíferos como o javali, a raposa, a lebre, o coelho-bravo, o mangusto, o rato do campo, o rato-cego-mediterrânico, etc...
Aves de rapina diurnas e noturnas presentes nesta reserva (seja de forma ocasional ou permanente): águia-calçada (Aquila pennata), águia-de-asa- redonda (Buteo buteo), gavião (Accipiter nisus), abutre-preto (Aegypius monachus),  grifo (Gyps fulvus), bufo-real (Bubo bubo), mocho-galego (Athene noctua), mocho-d´orelhas (Otus scops),  coruja-das-torres (Tyto alba), coruja-do-mato (Strix aluco), entre outras.
Nesta reserva estão presentes as seguintes espécies de pirilampo: Lamprohiza paulinoi, Nyctophila reichiiLampyris iberica, Lampyris noctiluca, Luciola lusitanica e Phosphaenopterus metzneri.
Curiosidades/Peculiaridades: Existem aqui charcos temporários mediterrânicos, que são o habitat para vários anfíbios e outros tantos animais.
Aqui seguem umas fotos tiradas nesta reserva (e também se podem ver mais fotos aqui > ( link):

                       
                                                      Salamandra-de-pintas-amarelas


                              
Larva de Lamprohiza paulinoi



Chrysis sp.



Larva de Luciola lusitanica



Juvenil de Triturus pygmaeus



Epidalea calamita



Arion sp.


Hyla meridionalis



                                          Reserva Lightalive «Quintal da Tocha»


É um quintal situado em Cantanhede, que tem árvores de fruto de vários tipos e uma parte da sua área é utilizada para agricultura de subsistência.
Não é totalmente escuro à noite, devido à iluminação pública na zona, mas ainda tem alguns locais escuros.
Pirilampos têm sido avistados (muito provavelmente Lampyris raymondi  e Lampyris noctiluca) e fotografados desde 2013, sobretudo junto a paredes antigas e em canteiros com ervas baixas (rasteiras). 
Uma muito provável fêmea de  Lampyris raymondi foi fotografada em 2013 e 2 fêmeas e 1 macho de Lampyris noctiluca  foram encontrados em 2018. 
A identificação destas espécies, baseia-se na informação científica correntemente existente.
 Um estudo genético, deverá esclarecer estas divisões.
 Um grande incêndio, assolou uma enorme área da freguesia local, em que consumiu sobretudo pinhal (pinheiro-bravo).
O fogo esteve a cerca 500 metros desta «microreserva».
Curiosidades/peculiaridades: Além dos pirilampos, ocorrem aqui, salamandras-de-pintas-amarelas, sapos- europeus, sardaniscas e ouriços-cacheiros.
Fotos desta reserva:


Salamandra salamandra gallaica



Ouriço-cacheiro



Fêmea adulta (Lampyris raymondi)



Fêmea adulta (Lampyris raymondi)






Reservas Lightalive (parte 1)




Após algumas comunicações, tanto com profissionais como com entusiastas, decidimos que seria boa ideia dar a designação de «Reserva Lightalive» a jardins, quintas, zonas protegidas ou a espaços verdes, no geral, que protegem e respeitam os seres vivos que produzem luz (claro que tal designação, só será dada, após o estabelecimento de comunicações entre o projeto Lightalive e os respetivos responsáveis por esses espaços naturais).
Para se receber esta designação, são basicamente necessárias/os: a presença confirmada de seres luminosos no local; o uso responsável de luz artificial; o uso restrito ou nulo de pesticidas, e a preservação no local de zonas naturais sem perturbação assinalável.
Esta designação incentiva as pessoas a proteger o ambiente, a conhecer melhor o espaço que administram, a optar por uma relação amigável com a Natureza e com multipos benefícios para todas as partes.
 Como por vezes, tratam-se de jardins situados em zonas urbanas, a questão do excesso de luz artificial tem sido várias vezes levantada, pois já se sabe, que interfere com os sinais luminosos de várias espécies bioluminescentes e que tem um impacto negativo até em várias espécies não bioluminescentes (como os humanos), e na vegetação, criando problemas de variada ordem, como por exemplo, perturbações graves no ritmo circadiano e confusões tantas vezes fatais nos animais durante as suas migrações.  
Além disso, a iluminação artificial excessiva é um grande dispêndio de energia e dinheiro e impede-nos de ver um céu estrelado.



Tipo de iluminação opressivo e exagerado

Como tal, nesta iniciativa inédita,  o uso responsável da luz artificial tem sido sempre bastante valorizado, ainda que igualmente importantes, são o uso restrito ou nulo de pesticidas, pois frequentemente, apresentam numerosos efeitos secundários, como a contaminação das plantas,, dos solos, da água, assim como matam numerosos animais, como os vaga lumes, que são grandes predadores de caracóis e lesmas.
E se estamos a proteger os seres luminosos, estamos também a proteger uma enorme quantidade de biodiversidade, pois os pirilampos são bioindicadores e uns autênticos «barómetros» de saúde ambiental!
Portanto, o projeto Lightalive, espera que esta iniciativa se estenda ao maior número de aderentes possível.

Um grande obrigado, a quem já aderiu à Rede de Reservas Lightalive!

Ficam aqui então, os participantes desta iniciativa:


                                         Reserva Lightalive Biovilla

A Biovilla trata-se de um projeto agroturístico, situado no Parque Natural da Arrábida, com uma área de cerca de 55 hectares.
É uma zona muito escura, onde o uso de luzes artificiais é mínimo e apenas existe iluminação junto às habitações. 
Vai ser iniciado um viveiro de plantas autóctones para ampliar e enriquecer o ecossistema local, tipicamente mediterrânico. 
Os pirilampos têm sido avistados até perto das casas, mas são naturalmente mais comuns, nas áreas mais escuras e inalteradas. 
Numa visita ao local, foi encontrada a espécie Luciola lusitanica, que pode tornar-se bastante numerosa na região.
Mais espécies de pirilampo poderão estar presentes




Biovilla durante o verão.



Vegetação começa a despontar após as primeiras chuvas.





                                       Reserva Lightalive «O Templo das Aves Canoras»


 É um quintal localizado na região de Tondela, com vegetação diversa (ervas aromáticas, hortícolas, plantas ornamentais, etc...) e algumas árvores de médio e grande porte (laranjeira, loureiro, cerejeira, entre outras).
A maior parte do quintal fica  numa zona escura e apenas uma pequena parte é iluminada (devido à influência da iluminação pública vinda do exterior).
Não são usados pesticidas.
Uma variedade interessante de Lampyris iberica tem sido fotografada sobretudo junto à horta (fêmeas e machos adultos), já desde há 3 anos, e pode ser vista  aqui.
Curiosidades/Peculiaridades: É um pequeno quintal que conta já com 32 espécies de aves registadas (certamente atraídas pelas magnífica vegetação, mas também pelos comedouros instalados e por certas árvores frutícolas (como um diospireiro)).
Um fogo florestal em 2017, esteve a escassos 20 metros, desta reserva, da qual seguem as fotos  embaixo:


Pintassilgo



Lagarta de Papilio machaon



Chapim-real



Trepadeira-comum (Certhia brachydactyla)

    



                                          Reserva Lightalive «Jardim de Leiria»



É um jardim particular, situado na região de Leiria, que tem palmeiras, azevinhos, alecrineiros, iucas,  azáleas, entre outras espécies de plantas.
Fica situado numa zona relativamente escura, onde não são aplicados quaisquer químicos.
Populações diferentes de lampirídeos, estão aqui presentes, nomeadamente de Lampyris iberica, Lamprohiza paulinoi e de Luciola lusitanica.
Neste jardim, já foi feito o registo de  36 espécies de aves, 9 espécies de mamíferos, 5 espécies de répteis e 3 espécies de anfíbios.

Curiosidades/peculiaridades: Ao redor deste jardim crescem pinheiros e carvalhos e localmente têm sido observadas grandes aglomerações de pirilampos.
Foto tirada a este jardim: