Tuesday, May 22, 2018

Notícias internacionais




Este vídeo sobre a conservação dos pirilampos em Taiwan, recebeu o Gold Remi Award no WorldFest-Houston International Film Festival : Flight of the Fireflies-2018 



Monday, May 21, 2018

Já viu algum ser vivo luminoso?




Tenho recebido muitas descrições de avistamentos de vaga lumes e de outros seres bioluminescentes. Mas relanço aqui o assunto (para o corrente ano de 2018)...
Quem tiver visto alguma coisa  e quiser partilhar o seu achado,  tente, se possível, responder às seguintes questões:
1- Local e hora do avistamento (o mais pormenorizado que poder indicar, melhor).
2- Condições atmosféricas (se estava a chover, húmido, seco, temperaturas (aproximadamente)...)
3- Condições de luminosidade do local (se tinha iluminação artificial perto, longe ou nenhuma, se sim de que côr era a luz).
4-Que tipo de luminosidade (produzida pelo ser vivo) foi avistada? Qual a côr? Piscava ou mantinha-se sempe acesa? Apresentava pulsares?
5- Quantos seres luminosos (aproximadamente) viu a produzirem luz?
6- Em que habitat estava o ser luminoso (floresta, campo aberto, berma de caminho, praia, mar, etc...)? 
7- Por fim diga-nos o que é que o ser luminoso estava a fazer (a comer, a acasalar, a descansar, a andar, a nadar, a voar, etc...)?

As suas informações são muito importantes, pois geralmente muito pouco se sabe sobre estes seres misteriosos. 
Pode também dar um relato mais sintético sem responder a algumas das questões. 
Em muitos locais do mundo se assiste a diminuição notória do número das espécies luminosas e assim se vai perdendo um dos maiores espetáculos da natureza...
 Mas ainda estamos a tempo de inverter essa tendência!

Para saber mais detalhes sobre o que poderá estar a encontrar, pode consultar livremente o nosso guia sobre os pirilampos de Portugal e mais algumas formas de bioluminescência em Portugal (que foram publicados já em Julho de 2014) emBioluminescência terrestre em PortugalGuia dos pirilampos de Portugal e Bioluminescência marinha em Portugal.

Envie as informações de preferência por email para: livinglightfestival@gmail.com
Ou então pode deixar a sua mensagem nos comentários (embaixo).

Obrigado!!








Friday, May 04, 2018

Mais fotos de Luciola lusitanica








                     Na Península de Setúbal, Nuno Cabrita, conseguiu estas fotos espetaculares.




Tuesday, April 10, 2018

Já apareceram!



No passado dia 2 de Abril, foram observados os primeiros pirilampos adultos de 2018 (uma fêmea de Luciola lusitanica e uma fêmea de Lamprohiza paulinoi), na freguesia (bairro) lisboeta de S. Francisco de Xavier.




                                                       Luciola lusitanica (Luís Gabriel)


Thursday, March 22, 2018

«Quero ter pirilampos no meu quintal, o que devo fazer para os ter?»


Dadas algumas questões que nos têm sido colocadas pelo público (quanto à introdução de pirilampos em certos lugares), sentimos que devemos deixar alguns conselhos que achamos muito importantes:
Compreendemos a atração que as espécies luminosas trazem às pessoas, mas para estas espécies prosperarem são necessárias condições bastante específicas.
Por exemplo, se tem um jardim ou quinta, antes de querer introduzir pirilampos, deverá tentar perceber, primeiro, se já existem lá pirilampos ou outras espécies luminosas (como, pode ver aqui).




Os pirilampos requerem um habitat específico





Se tem a certeza que não tem pirilampos no seu quintal, mas quer ter pirilampos no seu quintal,  primeiro terá que tentar perceber se o seu jardim tem dimensão e condições suficientes.
Talvez haja algo que você tenha que mudar (veja aqui).
Terão portanto, que existir condições para haver pirilampos e se existirem pirilampos nas redondezas, pode ser que colonizem o seu jardim.

Se o seu jardim não tem condições,  pode adoptar uma população de pirilampos na sua zona, que viva num local propício, visitando-a,  investigando-a e assim garantindo que não é esquecida. Quem sabe, possamos tentar que uma nova reserva seja aí criada!

Se estiver em vias de comprar um terreno, também pode optar por verificar primeiro se existem pirilampos por lá e assim terá uma população de pirilampos sob a sua responsabilidade.

Em alternativa, até pode contatar algum amigo ou familiar, que tenha algum/a terreno, jardim ou quinta, onde possam existir seres vivos luminosos e no caso de estarem aí presentes, adoptar essa população local (também pode optar por colaborar connosco com observações, pois a nossa monitorização, está a funcionar desde o início dos anos 90).
Ou então,  pode até fazer parte da nossa rede de Reservas Lightalive (veja como aqui).



       Os pirilampos preferem locais escuros



É possível a introdução de pirilampos em certas condições, mas pode ser um processo muito moroso, pode custar muito dinheiro e será necessário aconselhamento científico e monitorização (pelo menos inicialmente).
Todas estas dificuldades, têm sido observadas em países, onde foi feita a introdução ou reintrodução de pirilampos (mesmo usando variedades locais), em parques urbanos ou espaços verdes devidamente criados para o efeito.
E sempre existe a hipótese da população não sobreviver, por muito tempo, após aparentemente ficar estabelecida (em estado selvagem tal ficaria resolvido com a recolonização a partir de populações limítrofes, caso presentes, claro).
Outra coisa que terá que ter em conta, é que são precisos muitos pirilampos, para uma reintrodução ter boas probabilidades de ser bem sucedida, e será difícil ter um fornecimento suficiente destes insetos luminosos, na natureza, sem que hajam mais consequências negativas, que positivas.
E depois ainda terá que se juntar a elevada taxa de mortalidade das larvas, que se verifica com quase todas as espécies, mesmo em condições aparentemente ideais, de laboratório.
Portanto e apenas perante situações muito extraordinárias (como por exemplo a salvação de alguma população que corra o risco eminente de ser destruída por ação humana) e apenas com aconselhamento técnico, achamos aceitável a deslocação de pirilampos em massa de um local para o outro.


Vamos supôr que alguém transporta pirilampos dos arredores de Coimbra para os arredores de  Lisboa, isto por si só, poderá ter implicações negativas de várias ordens... Pode estar a criar erosão genética, na população de Coimbra de onde está retirar exemplares.


Certas espécies só conseguem viver em certos locais.



E por outro lado, pode estar a impôr condições, em relação às quais os pirilampos podem estar mal adaptados (Lisboa tem condições diferentes), assim como a criar concorrência extra (na corrida pelo uso de recursos básicos de sobrevivência) junto das populações locais.
Existem evidências, que suportam claramente a existência de variedades locais de pirilampo, que poderão estar a evoluir para subespécies e até espécies diferentes.
Muitos pirilampos podem ter uma coloração variável adaptada a um certo local de forma a não serem detetadas por certos predadores.
Podem ter um fenótipo e um comportamento adaptados a certo tipo de presas/predadores, clima, solo, relevo e vegetação.
Podem ter uma cutícula mais espessa para sobreviver em zonas mais secas. 
Todas estas adaptações foram aperfeiçoadas ao longo de milhões de anos!
Podemos correr o risco de andar a misturar populações com carateristicas de adaptação diferentes, diminuindo o número de variedades distintas (empobrecendo a diversidade), e criando variações pouco úteis à nova região em questão  (onde forem introduzidas). 
Certas populações de pirilampos, também pouco se movem com o passar dos anos, como temos notado durante todo este tempo de investigação e isso pode indicar uma forte especialização local.
Adicionalmente, certas populações apenas sobrevivem graças a um número baixo de reprodutores: em bons anos conseguem reproduzir-se muito e em maus anos, reproduzem-se pouco ou nada. E para os ovos eclodirem são necessárias condições próprias de humidade e temperatura, apenas presentes em certos locais (sobretudo durante a fase mais quente do ano, que é quando certas espécies se reproduzem).
Se vamos interferir nessa dinâmica, podemos causar uma extinção local e no fim, acabamos também por provocar a morte dos pirilampos que pretendemos introduzir (pois dificilmente serão suficientes para conseguirem reproduzir-se devidamente em anos com condições mais adversas). 

Agradecemos a vossa compreensão e aqui estaremos dispostos a ajudar, caso nos seja possível.

PS: Se quiserem fazer parte do nosso grupo de voluntários (e participarem em ações de conservação e/ou observação destas espécies) enviem-nos uma mensagem (por aqui ou por email (livinglightfestival@gmail.com)). De novo, obrigado!


                                   Pirilampo prestes a eclodir num microcosmos de musgo






Tuesday, February 20, 2018

Folhas luminosas



                                                              Gonçalo Lemos



Foto tirada a folhas luminosas, que encontrei no chão de uma floresta perto de Óbidos.
E porque brilham? Uma espécie de cogumelo bioluminescente (talvez do género Mycena), colonizou através do seu micélio a manta morta florestal.
E durante a sua ação benéfica de decomposição e enriquecimento orgânico do solo florestal, produz uma luz viva e extensa, que ainda não se sabe bem, qual a função.
O crescimento intensifica a reação luminosa, que apenas enfraquece ou termina, quando o cogumelo  começar a finalizar o seu ciclo de vida.
Como o micélio consegue passar de folha para folha, por vezes forma um autêntico tapete luminoso no chão da floresta (ainda por fotografar)...

E aqui vão umas fotos foram tiradas pelo Adriano Neves a umas folhas colonizadas possivelmente por uma espécie de Mycena que encontrei em Sintra:






© Adriano Neves - adrianon.com - instagram.com/acseve
Fotografias utilizadas com autorização do Autor



PS: Pode clicar nas fotos, para aumentar o detalhe.





Thursday, January 25, 2018

Reservas Lightalive (parte 4)



                                                     Reserva «Quinta de Óbidos»


Trata-se sobretudo de um pomar biológico (sem qualquer uso de pesticidas) de cerejas, pêssegos e ameixas, com algumas silvas, giestas e madressilvas a delimitar os limites do terreno.
Também existe a produção de ervas aromáticas e hortícolas.
Em alguns locais, domina a vegetação espontânea (que se encontra em expansão) e crescem plantas como a Equisetum sp.
Existem 2 nascentes de água (permanentes), 2 poços, 1 charco temporário e 2 ribeiras temporárias.
A parte mais baixa desta quinta, está inserida na Rede Natura.
Aqui existe uma variada fauna de vertebrados (sobretudo nas zonas mais baixas do vale): javali, coelho-bravo, perdiz-vermelha, texugo, raposa, águia-de-asa-redonda, gavião, peneireiro-vulgar, bufo-real, coruja-das-torres, coruja-do-mato, mocho-galego e uma enorme variedade de passeriformes.
Existe uma boa probabilidade do gato-selvagem (Felis silvestris silvestris) estar aqui presente, (reforçada por escutas e possíveis avistamentos, mas também por que a sua presença aparece como confirmada, para locais próximos).
Estão aqui presentes o maior lagarto da Europa (sardão), assim como a maior cobra da Europa (cobra-rateira). As cobras são vistas muito raramente e têm o hábito de fugir, assim que dão com uma pessoa.
Na quinta, nota-se o aparecimento da vegetação nativa (salgueiro (Salix sp.), pinheiro-bravo, aderno, medronheiro, loureiro, carvalho-cerquinho, sobreiro, entre outros), desde que se começou a adoptar por um modo de produção biológico. 
Muitos animais usam esta quinta como zona de passagem, de hibernação (ou estivação), de caça, de pastoreio, mas também como zona de reprodução.
Estão presentes, nesta quinta, pelo menos, 3 espécies de Lampirídeos: Luciola lusitanica, Lampyris iberica e Lamprohiza paulinoi
A espécie Luciola lusitanica, pode atingir aqui grandes concentrações (em anos mais favoráveis,  várias centenas de adultos podem aparecer). 
A caracoleta da espécie Cornu aspersum, atinge aqui um tamanho enorme (acima dos 40 mm em comprimento de concha).
São praticamente todos os meses do ano, em que se vê atividade dos pirilampos à superfície (do solo), seja, na forma adulta ou larvar.
Aqui também foi observada bioluminescência em espécies de cogumelos e de oligoquetas.
Curiosidades/Peculiaridades: Fica numa zona de transição climática, situando-se ligeiramente a Norte da Serra de Montejunto e portanto tal reflecte-se também na fauna presente, em que lado a lado, convivem, relas-meridionais (Hyla meridionalis), relas-arborícolas-europeias (Hyla arborea), sapos-parteiros (Alytes obstetricans), sardões (Lacerta lepida), lagartos-de-água (Lacerta schreiberi) entre outras variadas espécies de anfíbios e répteis.
A biomassa de micromamíferos e invertebrados, é aqui também bastante assinalável.
Algumas fotos do local podem ser vistas embaixo, e aqui também  (link).



Cerejeiras começam a florir


                                          Existem aqui muitas espécies de cogumelo


                                                                                 



A romper com as chuvas outonais


                           
Encosta virada para Noroeste





                                               Reserva Lightalive «Jardim da Parede»


Uma autêntica «microreserva» em meio praticamente urbano, sendo sobretudo preenchida por um relvado, por árvores e arbustos exóticos (Cupressus sp, Cotinus coggygria e Pittosporum tobira), mas também por algumas espécies autótones (folhado, alecrim e hera).
Está confirmada a presença de uma população de Pomatias elegans neste jardim (assim como de outras espécies de moluscos terrestres, como Otala lactea, Cornu aspersumTheba pisana e Arion sp.).
Nos últimos 2 anos (desde que os moradores atuais se mudaram para este local), tem sido sempre registada a presença de Lamprohiza paulinoi, neste jardim.
Neste jardim, não são usados pesticidas.
Algumas zonas junto aos muros (onde sobretudo aparece este pirilampo), são deixadas sem perturbação (nomeadamente com troncos, pedras calcáreas e uma boa quantidade de húmus). 
A vegetação mais densa e os muros altos, protegem uma boa parte do jardim, do excesso de poluição luminosa artificial (iluminação pública) vinda do exterior, e dentro do jardim apenas se usa luz caso seja mesmo necessário e durante o menor tempo possível.
Curiosidades/Peculiaridades: Está situada a cerca 150 metros da praia (que é uma reserva natural e onde tem sido registada a presença de bioluminescência marinha (produzida por vários seres vivos, como dinoflagelados, ofiuroides, etc...) .


Folhado (Viburnum tinus)



Caracol  de aspeto singular (Pomatias elegans)



Possuem um opérculo calcificado