Tuesday, August 14, 2007

Luminescência em larvas e adultos de Luciola sp. (Portugal)

 Fotografada  pela primeira vez (com o telemóvel...) a luz de larvas de Luciola  (Portugal), pode-se ver que apresenta (pelo menos a olho nú), uma luz amarela intensa, algo invulgar, pois a esmagadora maioria dos pirilampos em todo o mundo (das mais de 2000 espécies conhecidas) durante a fase larvar apresenta uma nítida luz verde (a olho nú).
 Ainda é questionável, se os machos adultos da espécie  (ou espécies) de Luciola que existe/m em Portugal,  produzem flashes luminosos em sincronia.   
Tenho é observado uma possível resposta luminosa coletiva de larvas de Luciola (sobretudo quando existem muitas larvas no solo e a alguma altura, na vegetação e muros (havendo possível contato visual) a luzes produzidas artificialmente  mas tal ainda está ser estudado.


Alteração realizada em 2018:

Órgãos luminosos de Luciola lusitanica (?), segundo Papi (baseando-se nas populações presentes em Itália):


                                                  Macho adulto (esquerda) e fêmea adulta



Órgãos luminosos de Luciola lusitanica (?), segundo Gonçalo Figueira (baseando-se nas populações presentes no Centro de Portugal):


Macho adulto (esquerda) e fêmea adulta


Como se pode ver, existe, aparentemente, uma notória diferença nas fêmeas adultas, o que me leva a crer, que podem tratar-se de espécies distintas (a não ser que haja algum lapso na descrição de Papi, mas não me parece, pois pode-se ver uma autofotografia às luzes da fêmea de Luciola encontrada em Itália a confirmar a configuração dada acima).
 No encontro internacional dedicado aos pirilampos, realizado em Gaia (2007), durante a minha apresentação eu indiquei (assim (aqui) de forma resumida) que a espécie presente em Portugal, possue (no caso das fêmeas) luminescência em 2 (grandes) órgãos luminosos, formando 2 barras.
A bioluminescência das fêmeas adultas de Luciola que existem no Centro de Portugal, já foi filmada por mim (e posso enviá-la a quem quiser): a luminosidade apresenta-se bem visível na área indicada acima, confirmando as observações feitas antes de 2007.
Papi assim como posteriormente Bonaduce, A. e Sabelli, B. suspeitam que na Itália Luciola lusitanica e Luciola italica são a mesma coisa (apenas sendo variedades distintas da mesma espécie) não referindo quaisquer diferenças no aparelho luminoso.

Mas a diferença que tenho apontado nos órgãos luminosos das fêmeas (relativamente ao que tem sido encontrado em Portugal e Itália), também possivelmente se estende aos machos, mas curiosamente, no plano dorsal:


Macho de Luciola lusitanica João Luis Teixeira (PBG, Portugal)

Macho de Luciola lusitanica  (João Luis Teixeira, PBG. Portugal).


                                 Macho de Luciola lusitanica (Pierre Gros, França).


                                 Macho de Luciola lusitanica (Pierre Gros, França).


                                 Macho de Luciola lusitanica (Dragisa Savic, Sérvia).


Como se pode verificar nas fotos, no caso da França e da Sérvia, a cutícula (do lado dorsal) aparentemente, apresenta-se algo opaca e com um pigmento escurecido, sobre um dos segmentos que são dotados de órgãos luminosos, enquanto no caso de Portugal, é apresentada, na mesma estrutura,  uma despigmentação da cutícula (do lado dorsal), permitindo uma maior transmissão da luz para o dorso.
Com esta descrição, tornam-se pertinentes duas questões: quantas espécies de Luciola existem afinal na Europa e será que se pode ainda dizer que a espécie de Luciola que existe em Portugal é a mesma que existe em França, Itália, Sérvia e em mais alguns países?
E já agora, será que todos os insetos designados vulgarmente de Luciola lusitanica, no nosso país, pertencem à mesma espécie?
Parece-me que se vai fazer um estudo comparativo detalhado (à anatomia e genética, por exemplo), e neste momento já estou a participar num estudo genético, que inclue «Luciola» de Portugal (e esperemos, de mais países europeus)!