Wednesday, January 24, 2018

Reservas Lightalive (parte 3)





                                             Reserva Lightalive «Quinta de Lagos»

É uma quinta localizada em Lagos, no Algarve, em que parte é um jardim e a outra parte é uma zona arborizada  (sobretudo com oliveiras, amendoeiras, mas também alfarrobeiras, azinheiras e sobreiros).
Não existe iluminação artificial no local, nem são usados pesticidas.
Os pirilampos têm sido encontrados sobretudo na zona de jardim, que é regada e fica junto a tradicionais muros de pedra.
É feito um controle de ervas secas para prevenir os incêndios 
As espécies de pirilampo encontradas, têm sido Lampyris iberica e Nyctophila reichii.
Curiosidades/peculiaridades: Em estudos realizados na quinta, em que é utilizada uma luz para atrair borboletas, têm aparecido muitos pirilampos.
Foi aqui feito o primeiro registo para Portugal, da espécie Garella nilotica.

Aqui seguem umas fotos tiradas neste espaço:


Macho de Nyctophila reichii


Larva de Nyctophila reichii


Cassida vitata



Luz de fêmea adulta de Lampyris iberica


Zeuzera pyrina


Acherontia atropos


Ophiusa tirhaca


Atrocita sp.


Eteobalea isabellella


Empusa pennata



                                        Reserva Lightalive «Quinta Ecológica da Moita»


É  uma quinta ecológica, situada na região de Aveiro, onde se pretende a dinamização de atividades relacionadas com a Educação Ambiental.
Possue um programa anual de atividades (e a observação de pirilampos, já foi realizada nesta quinta).
Não são aqui usados pesticidas e a luz artificial apenas se encontra presente junto à casa da quinta, tendo portanto, condições excelentes para os pirilampos (Luciola lusitanica e Lampyris sp.), que têm sido observados na quinta.
Existe no entanto a grande possibilidade de existirem mais espécies bioluminescentes (e não só de pirilampos).
Dentro desta quinta, que está situada relativamente perto da Ria de Aveiro, existe uma mata e uma horta biológica.
Curiosidades/Peculiaridades: A Quinta Ecológica da Moita, surgiu a partir de um protocolo de parceria entre a Santa Casa de Misericórdia de Aveiro (SCMA) e a Associação Portuguesa de Educação Ambiental (ASPEA).
Aqui seguem umas fotos desta reserva:


Aspeto de alguma da vegetação presente


Existe um desenvolvimento arbóreo notável


É um espaço aberto ao público



Reservas Lightalive (Parte 2)



                                   Reserva Lightalive «Quintinha de Paços de Ferreira»


Trata-se de uma quintinha, onde se cultiva vinha, produtos horticolas e onde existe um pequeno relvado (o uso de químicos, está a ser reduzido, para permitir a sobrevivência e a recuperação de uma pequena população de pirilampos presente neste pequeno espaço).

Várias fêmeas e larvas de Lampyris sp. têm sido fotografadas e observadas, desde há 7 anos.
Existem zonas escuras, protegidas da luz artificial.

Curiosidades/Peculiaridades: Foi instalada luz LED, na iluminação pública da região.
Aqui seguem duas fotos desta nova reserva: 


Larva de Lampyris sp.


Fêmea adulta de Lampyris sp.




                                             Reserva Lightalive «Quinta do Roseiral»


Situada na região de Coruche, tem sobretudo um bosque misto de zambujeiro, carvalho-cerquinho e sobreiro, que se encontra em expansão. 
Depois também estão presentes a esteva (Cistus ladanifer), a espécie Serapias strictiflora,  uma espécie de Lavandula, e mais outras tantas espécies.
Aqui existem espécies de mamíferos como o javali, a raposa, a lebre, o coelho-bravo, o mangusto, o rato do campo, o rato-cego-mediterrânico, etc...
Aves de rapina diurnas e noturnas presentes nesta reserva (seja de forma ocasional ou permanente): águia-calçada (Aquila pennata), águia-de-asa- redonda (Buteo buteo), gavião (Accipiter nisus), abutre-preto (Aegypius monachus),  grifo (Gyps fulvus), bufo-real (Bubo bubo), mocho-galego (Athene noctua), mocho-d´orelhas (Otus scops),  coruja-das-torres (Tyto alba), coruja-do-mato (Strix aluco), entre outras.
Nesta reserva estão presentes as seguintes espécies de pirilampo: Lamprohiza paulinoi, Nyctophila reichiiLampyris iberica, Lampyris noctiluca, Luciola lusitanica e Phosphaenopterus metzneri.
Curiosidades/Peculiaridades: Existem aqui charcos temporários mediterrânicos, que são o habitat para vários anfíbios e outros tantos animais.
Aqui seguem umas fotos tiradas nesta reserva (e também se podem ver mais fotos aqui > ( link):

                       
                                                      Salamandra-de-pintas-amarelas


                              
Larva de Lamprohiza paulinoi



Chrysis sp.



Larva de Luciola lusitanica



Juvenil de Triturus pygmaeus



Epidalea calamita



Arion sp.


Hyla meridionalis



                                          Reserva Lightalive «Quintal da Tocha»


É um quintal situado em Cantanhede, que tem árvores de fruto de vários tipos e uma parte da sua área é utilizada para agricultura de subsistência.
Não é totalmente escuro à noite, devido à iluminação pública na zona, mas ainda tem alguns locais escuros.
Pirilampos têm sido avistados (muito provavelmente Lampyris raymondi  e Lampyris noctiluca) e fotografados desde 2013, sobretudo junto a paredes antigas e em canteiros com ervas baixas (rasteiras). 
Uma muito provável fêmea de  Lampyris raymondi foi fotografada em 2013 e 2 fêmeas e 1 macho de Lampyris noctiluca  foram encontrados em 2018. 
A identificação destas espécies, baseia-se na informação científica correntemente existente.
 Um estudo genético, deverá esclarecer estas divisões.
 Um grande incêndio, assolou uma enorme área da freguesia local, em que consumiu sobretudo pinhal (pinheiro-bravo).
O fogo esteve a cerca 500 metros desta «microreserva».
Curiosidades/peculiaridades: Além dos pirilampos, ocorrem aqui, salamandras-de-pintas-amarelas, sapos- europeus, sardaniscas e ouriços-cacheiros.
Fotos desta reserva:


Salamandra salamandra gallaica



Ouriço-cacheiro



Fêmea adulta (Lampyris raymondi)



Fêmea adulta (Lampyris raymondi)






Reservas Lightalive (parte 1)




Após algumas comunicações, tanto com profissionais como com entusiastas, decidimos que seria boa ideia dar a designação de «Reserva Lightalive» a jardins, quintas, zonas protegidas ou a espaços verdes, no geral, que protegem e respeitam os seres vivos que produzem luz (claro que tal designação, só será dada, após o estabelecimento de comunicações entre o projeto Lightalive e os respetivos responsáveis por esses espaços naturais).
Para se receber esta designação, são basicamente necessárias/os: a presença confirmada de seres luminosos no local; o uso responsável de luz artificial; o uso restrito ou nulo de pesticidas, e a preservação no local de zonas naturais sem perturbação assinalável.
Esta designação incentiva as pessoas a proteger o ambiente, a conhecer melhor o espaço que administram, a optar por uma relação amigável com a Natureza e com multiplos benefícios para todas as partes.
 Como por vezes, tratam-se de jardins situados em zonas urbanas, a questão do excesso de luz artificial tem sido várias vezes levantada, pois já se sabe, que interfere com os sinais luminosos de várias espécies bioluminescentes e que tem um impacto negativo até em várias espécies não bioluminescentes (como os humanos), e na vegetação, criando problemas de variada ordem, como por exemplo, perturbações graves no ritmo circadiano e confusões tantas vezes fatais nos animais durante as suas migrações.  
Além disso, a iluminação artificial excessiva é um grande dispêndio de energia e dinheiro e impede-nos de ver um céu estrelado.



Tipo de iluminação opressivo e exagerado

Como tal, nesta iniciativa inédita,  o uso responsável da luz artificial tem sido sempre bastante valorizado, ainda que igualmente importantes, são o uso restrito ou nulo de pesticidas, pois frequentemente, apresentam numerosos efeitos secundários, como a contaminação das plantas,, dos solos, da água, assim como matam numerosos animais, como os vaga lumes, que são grandes predadores de caracóis e lesmas.
E se estamos a proteger os seres luminosos, estamos também a proteger uma enorme quantidade de biodiversidade, pois os pirilampos são bioindicadores e uns autênticos «barómetros» de saúde ambiental!
Portanto, o projeto Lightalive, espera que esta iniciativa se estenda ao maior número de aderentes possível.

Um grande obrigado, a quem já aderiu à Rede de Reservas Lightalive!

Ficam aqui então, os participantes desta iniciativa:


                                         Reserva Lightalive Biovilla

A Biovilla trata-se de um projeto agroturístico, situado no Parque Natural da Arrábida, com uma área de cerca de 55 hectares.
É uma zona muito escura, onde o uso de luzes artificiais é mínimo e apenas existe iluminação junto às habitações. 
Vai ser iniciado um viveiro de plantas autóctones para ampliar e enriquecer o ecossistema local, tipicamente mediterrânico. 
Os pirilampos têm sido avistados até perto das casas, mas são naturalmente mais comuns, nas áreas mais escuras e inalteradas. 
Numa visita ao local, foi encontrada a espécie Luciola lusitanica, que pode tornar-se bastante numerosa na região.
Mais espécies de pirilampo poderão estar presentes




Biovilla durante o verão.



Vegetação começa a despontar após as primeiras chuvas.





                                       Reserva Lightalive «O Templo das Aves Canoras»


 É um quintal localizado na região de Tondela, com vegetação diversa (ervas aromáticas, hortícolas, plantas ornamentais, etc...) e algumas árvores de médio e grande porte (laranjeira, loureiro, cerejeira, entre outras).
A maior parte do quintal fica  numa zona escura e apenas uma pequena parte é iluminada (devido à influência da iluminação pública vinda do exterior).
Não são usados pesticidas.
Uma variedade interessante de Lampyris iberica tem sido fotografada sobretudo junto à horta (fêmeas e machos adultos), já desde há 3 anos, e pode ser vista  aqui.
Curiosidades/Peculiaridades: É um pequeno quintal que conta já com 32 espécies de aves registadas (certamente atraídas pelas magnífica vegetação, mas também pelos comedouros instalados e por certas árvores frutícolas (como um diospireiro)).
Um fogo florestal em 2017, esteve a escassos 20 metros, desta reserva, da qual seguem as fotos  embaixo:


Pintassilgo



Lagarta de Papilio machaon



Chapim-real



Trepadeira-comum (Certhia brachydactyla)

    



                                          Reserva Lightalive «Jardim de Leiria»



É um jardim particular, situado na região de Leiria, que tem palmeiras, azevinhos, alecrineiros, iucas,  azáleas, entre outras espécies de plantas.
Fica situado numa zona relativamente escura, onde não são aplicados quaisquer químicos.
Populações diferentes de lampirídeos, estão aqui presentes, nomeadamente de Lampyris iberica, Lamprohiza paulinoi e de Luciola lusitanica.
Neste jardim, já foi feito o registo de  36 espécies de aves, 9 espécies de mamíferos, 5 espécies de répteis e 3 espécies de anfíbios.

Curiosidades/peculiaridades: Ao redor deste jardim crescem pinheiros e carvalhos e localmente têm sido observadas grandes aglomerações de pirilampos.
Foto tirada a este jardim: 

                                                                                 



Wednesday, December 06, 2017




Aqui vão umas fotos de troncos colonizados por um cogumelo luminoso (tanto quanto sei, as primeiras de sempre tiradas no nosso país), que eu encontrei em finais de Novembro de 2017, na minha quinta (perto de Óbidos). 
A este tipo de luminescência, são dadas diferentes designações, como «fogo das raposas» ou «fogo das fadas», e já deve ser conhecido desde há milhares de anos,  pois Plínio, o Velho, fez uma menção à madeira de oliveiras que brilhava.
Mais tarde, o historiador Sueco, Olaus Magnus, escreveu em 1652, que no Norte da Escandinávia, quando as pessoas se aventuravam na floresta durante a noite, costumavam de colocar pedaços de casca de carvalho luminosa em certas partes da floresta (e por intervalos), de forma a conseguirem encontrar o caminho de volta.
Um submarino antigo, chamado de Turtle teve as suas agulhas (do barómetro e do compasso) iluminadas pelo «fogo das raposas».
Quanto aos exemplares que foram achados em Óbidos, ainda que brilhassem bem quando foram fotografados  (e o Adriano Neves fez um excelente trabalho), estavam já fora do auge lumínico, pois foram encontrados 2 semanas atrás antes destas fotos serem tiradas, e mesmo 3 dias, após terem sido encontrados, já a intensidade da luminescência tinha diminuído consideravelmente. 
Para ter uma ideia, basta dizer, que nas primeiras 2 noites, dava perfeitamente para ler um livro ao pé destes exemplares.
Algumas fotos mostram o aspeto dos troncos, quando expostos à luz normal e as outras, mostram a luminosidade destes, em condições de completa escuridão (a câmara usou a luz produzida pelos cogumelos, para tirar as fotografias).´
A espécie que produz tal espetáculo ainda é desconhecida, mas muito provavelmente trata-se de uma espécie do género Armillaria.
Este site apresenta-nos informações muito interessantes sobre este género: https://www.nytimes.com/2017/11/03/science/humongous-fungus-armillaria-genes.html
As espécies de género Armillaria, têm uma reputação um tanto injusta de serem um agente patogénico, pois na verdade, em florestas saudáveis não causam danos nenhuns, sendo até bastante úteis na destruição de árvores doentes ou pouco saudáveis, na decomposição de material vegetal e no enriquecimento dos solos.
  Monoculturas cultivadas pelos humanos em vastas áreas, com pouca variedade genética, é que podem ficar particularmente vulneráveis a este agente fitossanitário.
Também gostaria de mencionar que os cogumelos do género  Armillaria, são considerados os maiores seres vivos, que se conhecem na Terra.
A ver se para a próxima, consigo que um achado como estes, seja fotografado numa fase mais luminosa.

















Alguma variação na tonalidade e intensidade da bioluminescência foi encontrada durante a sessão fotográfica, nestes exemplares:


Uma versão ampliada:



 © Adriano Neves - adrianon.com - instagram.com/acseven
                                                  Fotografias utilizadas com autorização do Autor
                                              


Um pequeno vídeo (slide show fotográfico):