Wednesday, January 24, 2018

Reservas Lightalive (Parte 2)



                                   Reserva Lightalive «Quintinha de Paços de Ferreira»


Trata-se de uma quintinha, onde se cultiva vinha, produtos horticolas e onde existe um pequeno relvado (o uso de químicos, está a ser reduzido, para permitir a sobrevivência e a recuperação de uma pequena população de pirilampos presente neste pequeno espaço).

Várias fêmeas e larvas de Lampyris sp. têm sido fotografadas e observadas, desde há 7 anos.
Existem zonas escuras, protegidas da luz artificial.

Curiosidades/Peculiaridades: Foi instalada luz LED, na iluminação pública da região.
Aqui seguem duas fotos desta nova reserva: 


Larva de Lampyris sp.


Fêmea adulta de Lampyris sp.




                                             Reserva Lightalive «Quinta do Roseiral»


Situada na região de Coruche, tem sobretudo um bosque misto de zambujeiro, carvalho-cerquinho e sobreiro, que se encontra em expansão. 
Depois também estão presentes a esteva (Cistus ladanifer), a espécie Serapias strictiflora,  uma espécie de Lavandula, e mais outras tantas espécies.
Aqui existem espécies de mamíferos como o javali, a raposa, a lebre, o coelho-bravo, o mangusto, o rato do campo, o rato-cego-mediterrânico, etc...
Aves de rapina diurnas e noturnas presentes nesta reserva (seja de forma ocasional ou permanente): águia-calçada (Aquila pennata), águia-de-asa- redonda (Buteo buteo), gavião (Accipiter nisus), abutre-preto (Aegypius monachus),  grifo (Gyps fulvus), bufo-real (Bubo bubo), mocho-galego (Athene noctua), mocho-d´orelhas (Otus scops),  coruja-das-torres (Tyto alba), coruja-do-mato (Strix aluco), entre outras.
Nesta reserva estão presentes as seguintes espécies de pirilampo: Lamprohiza paulinoi, Nyctophila reichiiLampyris iberica, Lampyris noctiluca, Luciola lusitanica e Phosphaenopterus metzneri.
Curiosidades/Peculiaridades: Existem aqui charcos temporários mediterrânicos, que são o habitat para vários anfíbios e outros tantos animais.
Aqui seguem umas fotos tiradas nesta reserva (e também se podem ver mais fotos aqui > ( link):

                       
                                                      Salamandra-de-pintas-amarelas


                              
Larva de Lamprohiza paulinoi



Chrysis sp.



Larva de Luciola lusitanica



Juvenil de Triturus pygmaeus



Epidalea calamita



Arion sp.


Hyla meridionalis



                                          Reserva Lightalive «Quintal da Tocha»


É um quintal situado em Cantanhede, que tem árvores de fruto de vários tipos e uma parte da sua área é utilizada para agricultura de subsistência.
Não é totalmente escuro à noite, devido à iluminação pública na zona, mas ainda tem alguns locais escuros.
Pirilampos têm sido avistados (muito provavelmente Lampyris raymondi  e Lampyris noctiluca) e fotografados desde 2013, sobretudo junto a paredes antigas e em canteiros com ervas baixas (rasteiras). 
Uma muito provável fêmea de  Lampyris raymondi foi fotografada em 2013 e 2 fêmeas e 1 macho de Lampyris noctiluca  foram encontrados em 2018. 
A identificação destas espécies, baseia-se na informação científica correntemente existente.
 Um estudo genético, deverá esclarecer estas divisões.
 Um grande incêndio, assolou uma enorme área da freguesia local, em que consumiu sobretudo pinhal (pinheiro-bravo).
O fogo esteve a cerca 500 metros desta «microreserva».
Curiosidades/peculiaridades: Além dos pirilampos, ocorrem aqui, salamandras-de-pintas-amarelas, sapos- europeus, sardaniscas e ouriços-cacheiros.
Fotos desta reserva:


Salamandra salamandra gallaica



Ouriço-cacheiro



Fêmea adulta (Lampyris raymondi)



Fêmea adulta (Lampyris raymondi)






Reservas Lightalive (parte 1)




Após algumas comunicações, tanto com profissionais como com entusiastas, decidimos que seria boa ideia dar a designação de «Reserva Lightalive» a jardins, quintas, zonas protegidas ou a espaços verdes, no geral, que protegem e respeitam os seres vivos que produzem luz (claro que tal designação, só será dada, após o estabelecimento de comunicações entre o projeto Lightalive e os respetivos responsáveis por esses espaços naturais).
Para se receber esta designação, são basicamente necessárias/os: a presença confirmada de seres luminosos no local; o uso responsável de luz artificial; o uso restrito ou nulo de pesticidas, e a preservação no local de zonas naturais sem perturbação assinalável.
Esta designação incentiva as pessoas a proteger o ambiente, a conhecer melhor o espaço que administram, a optar por uma relação amigável com a Natureza e com multiplos benefícios para todas as partes.
 Como por vezes, tratam-se de jardins situados em zonas urbanas, a questão do excesso de luz artificial tem sido várias vezes levantada, pois já se sabe, que interfere com os sinais luminosos de várias espécies bioluminescentes e que tem um impacto negativo até em várias espécies não bioluminescentes (como os humanos), e na vegetação, criando problemas de variada ordem, como por exemplo, perturbações graves no ritmo circadiano e confusões tantas vezes fatais nos animais durante as suas migrações.  
Além disso, a iluminação artificial excessiva é um grande dispêndio de energia e dinheiro e impede-nos de ver um céu estrelado.



Tipo de iluminação opressivo e exagerado

Como tal, nesta iniciativa inédita,  o uso responsável da luz artificial tem sido sempre bastante valorizado, ainda que igualmente importantes, são o uso restrito ou nulo de pesticidas, pois frequentemente, apresentam numerosos efeitos secundários, como a contaminação das plantas,, dos solos, da água, assim como matam numerosos animais, como os vaga lumes, que são grandes predadores de caracóis e lesmas.
E se estamos a proteger os seres luminosos, estamos também a proteger uma enorme quantidade de biodiversidade, pois os pirilampos são bioindicadores e uns autênticos «barómetros» de saúde ambiental!
Portanto, o projeto Lightalive, espera que esta iniciativa se estenda ao maior número de aderentes possível.

Um grande obrigado, a quem já aderiu à Rede de Reservas Lightalive!

Ficam aqui então, os participantes desta iniciativa:


                                         Reserva Lightalive Biovilla

A Biovilla trata-se de um projeto agroturístico, situado no Parque Natural da Arrábida, com uma área de cerca de 55 hectares.
É uma zona muito escura, onde o uso de luzes artificiais é mínimo e apenas existe iluminação junto às habitações. 
Vai ser iniciado um viveiro de plantas autóctones para ampliar e enriquecer o ecossistema local, tipicamente mediterrânico. 
Os pirilampos têm sido avistados até perto das casas, mas são naturalmente mais comuns, nas áreas mais escuras e inalteradas. 
Numa visita ao local, foi encontrada a espécie Luciola lusitanica, que pode tornar-se bastante numerosa na região.
Mais espécies de pirilampo poderão estar presentes




Biovilla durante o verão.



Vegetação começa a despontar após as primeiras chuvas.





                                       Reserva Lightalive «O Templo das Aves Canoras»


 É um quintal localizado na região de Tondela, com vegetação diversa (ervas aromáticas, hortícolas, plantas ornamentais, etc...) e algumas árvores de médio e grande porte (laranjeira, loureiro, cerejeira, entre outras).
A maior parte do quintal fica  numa zona escura e apenas uma pequena parte é iluminada (devido à influência da iluminação pública vinda do exterior).
Não são usados pesticidas.
Uma variedade interessante de Lampyris iberica tem sido fotografada sobretudo junto à horta (fêmeas e machos adultos), já desde há 3 anos, e pode ser vista  aqui.
Curiosidades/Peculiaridades: É um pequeno quintal que conta já com 32 espécies de aves registadas (certamente atraídas pelas magnífica vegetação, mas também pelos comedouros instalados e por certas árvores frutícolas (como um diospireiro)).
Um fogo florestal em 2017, esteve a escassos 20 metros, desta reserva, da qual seguem as fotos  embaixo:


Pintassilgo



Lagarta de Papilio machaon



Chapim-real



Trepadeira-comum (Certhia brachydactyla)

    



                                          Reserva Lightalive «Jardim de Leiria»



É um jardim particular, situado na região de Leiria, que tem palmeiras, azevinhos, alecrineiros, iucas,  azáleas, entre outras espécies de plantas.
Fica situado numa zona relativamente escura, onde não são aplicados quaisquer químicos.
Populações diferentes de lampirídeos, estão aqui presentes, nomeadamente de Lampyris iberica, Lamprohiza paulinoi e de Luciola lusitanica.
Neste jardim, já foi feito o registo de  36 espécies de aves, 9 espécies de mamíferos, 5 espécies de répteis e 3 espécies de anfíbios.

Curiosidades/peculiaridades: Ao redor deste jardim crescem pinheiros e carvalhos e localmente têm sido observadas grandes aglomerações de pirilampos.
Foto tirada a este jardim: 

                                                                                 



Wednesday, December 06, 2017




Aqui vão umas fotos de troncos colonizados por um cogumelo luminoso (tanto quanto sei, as primeiras de sempre tiradas no nosso país), que eu encontrei em finais de Novembro de 2017, na minha quinta (perto de Óbidos). 
A este tipo de luminescência, são dadas diferentes designações, como «fogo das raposas» ou «fogo das fadas», e já deve ser conhecido desde há milhares de anos,  pois Plínio, o Velho, fez uma menção à madeira de oliveiras que brilhava.
Mais tarde, o historiador Sueco, Olaus Magnus, escreveu em 1652, que no Norte da Escandinávia, quando as pessoas se aventuravam na floresta durante a noite, costumavam de colocar pedaços de casca de carvalho luminosa em certas partes da floresta (e por intervalos), de forma a conseguirem encontrar o caminho de volta.
Um submarino antigo, chamado de Turtle teve as suas agulhas (do barómetro e do compasso) iluminadas pelo «fogo das raposas».
Quanto aos exemplares que foram achados em Óbidos, ainda que brilhassem bem quando foram fotografados  (e o Adriano Neves fez um excelente trabalho), estavam já fora do auge lumínico, pois foram encontrados 2 semanas atrás antes destas fotos serem tiradas, e mesmo 3 dias, após terem sido encontrados, já a intensidade da luminescência tinha diminuído consideravelmente. 
Para ter uma ideia, basta dizer, que nas primeiras 2 noites, dava perfeitamente para ler um livro ao pé destes exemplares.
Algumas fotos mostram o aspeto dos troncos, quando expostos à luz normal e as outras, mostram a luminosidade destes, em condições de completa escuridão (a câmara usou a luz produzida pelos cogumelos, para tirar as fotografias).´
A espécie que produz tal espetáculo ainda é desconhecida, mas muito provavelmente trata-se de uma espécie do género Armillaria.
Este site apresenta-nos informações muito interessantes sobre este género: https://www.nytimes.com/2017/11/03/science/humongous-fungus-armillaria-genes.html
As espécies de género Armillaria, têm uma reputação um tanto injusta de serem um agente patogénico, pois na verdade, em florestas saudáveis não causam danos nenhuns, sendo até bastante úteis na destruição de árvores doentes ou pouco saudáveis, na decomposição de material vegetal e no enriquecimento dos solos.
  Monoculturas cultivadas pelos humanos em vastas áreas, com pouca variedade genética, é que podem ficar particularmente vulneráveis a este agente fitossanitário.
Também gostaria de mencionar que os cogumelos do género  Armillaria, são considerados os maiores seres vivos, que se conhecem na Terra.
A ver se para a próxima, consigo que um achado como estes, seja fotografado numa fase mais luminosa.

















Alguma variação na tonalidade e intensidade da bioluminescência foi encontrada durante a sessão fotográfica, nestes exemplares:


Uma versão ampliada:



 © Adriano Neves - adrianon.com - instagram.com/acseven
                                                  Fotografias utilizadas com autorização do Autor
                                              


Um pequeno vídeo (slide show fotográfico):




Wednesday, October 11, 2017

Possíveis funções do prototorax em pirilampos




Fotografia de Land a um retrato de Darwin através da córnea de um pirilampo (Photuris sp.), mostra que esta óptica conduz à formação de uma imagem direita e não invertida:




Foto retirada de um artigo espanhol (http://www.elsevier.es/es-revista-archivos-sociedad-espanola-oftalmologia-296-articulo-evolucion-historica-nuestro-conocimiento-del-S0365669115003482).

Possíveis funções ópticas do prototorax ou protórax (por vezes designado vulgarmente de «pronoto», «viseira» ou «capacete») avançadas no estudo, logo acima:

- Função pára-sol: ao reduzir os reflexos existantes en noites de lua cheia. A ser verdade, os pirilampos que vivem em zonas abertas, devem ter um prototorax maior e os que vivem em zonas florestais devem ter um prototorax mais pequeno (tal só poderá ser demonstrado comparando o tamanho destas estruturas em pirilampos que vivam em ambos habitats).
- Função antena-parabólica: ao refletir a luz frontal e concentrando-a na porção dorsal do olho. A sua forma curvada e centrada na cabeça torna plausível uma função deste tipo.
-Função tela: ao modular o campo visual a partir do momento em que a fêmea se torna adulta, o protórax, protege a visão de estímulos dorsais (que possam distrair a fêmea da sua função reprodutora (pois as fêmeas adultas de Nyctophila reichii apenas vivem cerca de 2 semanas e tanto quanto se sabe, não comem durante este período)).
Os autores deste estudo, avançam a possibilidade de facilitar a deteção visual da aproximação de um macho, pelo lado ventral.
Já no macho, ainda que a viseira esteja presente nesta espécie, não protege na totalidade os olhos de estímulos visuais dorsais.


                                                           Fêmea de Nyctophila reichii



                                                                 A minha opinião

Sem dúvida que o prototorax pode ter um papel importante no campo visual, mas também na proteção da cabeça e olhos do pirilampo.
Machos de diferentes espécies foram vistos a cair junto a luzes especificamente desenhadas para os atrair (a simularem fêmeas) e muitos poderiam ficar decepados ou sem olhos, caso não tivessem esta «viseira».
Quando são atacados ou simplesmente tocados, tanto machos, como fêmeas e até larvas, encolhem os olhos e a cabeça, para bem debaixo do prototorax, mais uma vez sugerindo a sua função protetora. Também quando estão a dormir, a hibernar ou a repousar, se observa este retrocedimento da cabeça e olhos, para debaixo do prototorax.
Por vezes, as fêmeas adultas caem dos seus pontos de iluminação e mais uma vez, o prototorax pode aqui desempenhar uma função extra de proteção.

Tanto machos, como fêmeas e larvas, já foram vistos a usar as pontas afiadas do prototorax, como pás, para explorar e abrir caminho na vegetação e no solo.

Contudo, sem dúvida que é possível que haja um dimorfismo sexual, em termos ópticos, na função do prototorax.
Enquanto as fêmeas de Nyctophila reichii, normalmente apresentam um prototorax mais opaco, os machos, pelo contrário, por vezes aparentam até ter janelas (que possivelmente permitem detetar as luzes das fêmeas desde diferentes ângulos e posições).
Um estudo sobre a produção de bioluminescência de baixa intensidade, ao longo de quase todo o corpo, na espécie Lampyris noctiluca foi publicado em 2014 (https://www.schweizerbart.de/papers/entomologia/detail/35/83020/Bioluminescent_leakage_throughout_the_body_of_the_glow_worm_Lampyris_noctiluca_Coleoptera_Lampyridae).
Um pouco mais tarde, no mesmo ano (e sem saber ainda desta descoberta), observei uma fêmea de Lampyris iberica a brilhar uma luz de baixa intensidade (mas perfeitamente visível a olho nu) em praticamente quase todo o corpo (tal aspecto também foi observado prontamente por uma pessoa que participou em uma volta de campo em que fui guia (iniciativa Lightalive/Almargem) mesmo com alguma luz ambiente em redor.
Também  este ano, observei o mesmo a acontecer numa fêmea de Nyctophila reichii e a bioluminescência em praticamente quase todo o corpo era possivelmente ainda mais intensa do que na Lampyris iberica (talvez porque a N. reichii tenha uma côr mais clara e logo poderá ser melhor condutora de uma luminescência corporal de tipo mais generalizado).
Qual a razão para o uso deste tipo de luz, que pode durar mais de 5 minutos, tão distinto das luzes que habitualmente vemos estas espécies a produzir, quando damos uma volta pelo campo,(com 2 grandes luzes, localizadas no sexto e sétimo ventritos abdominais, respetivamente e um par de luzes pequenas no oitavo (reminiscentes das formas larvares)), durante cerca de 2 a 3 horas?
Quando brilharam desta forma nunca antes documentada , as luzes normais de sinalização para a atração de um parceiro ou para dissuadir os predadores estavam apagadas (pelo menos durante as minhas observações) e na maioria das vezes foram vistas a brilhar desta forma generalizada, enquanto se deslocavam (ainda que nem sempre).
Será que serve para iluminar o caminho, nas suas deslocações subterrâneas, ou debaixo do humus florestal ou quando andam em zonas expostas, mas bastante escuras? Será que serve de proteção contra um tipo de específico de predadores? Servirá para mais do que um propósito?
Realmente os olhos das fêmeas, estão muito menos desenvolvidos, que os olhos dos machos, e por isso uma ajuda luminosa pode facilitar a sua orientação, mas tanto machos como larvas também apresentam de alguma forma, este tipo de luminescência (ainda que menos desenvolvida), que só recentemente foi descrita, tanto pelo estudo de 2014 aqui apresentado,  como pelas minhas observações aqui colocadas (no caso da Nyctophila reichii e da Lampyris iberica, são aliás os primeiros testemunhos que se conhecem).
 Por isso, ainda não se sabe ao certo, qual a função desta luz, e se o capacete ou prototorax, tem um papel muito específico ou antes multifacetado, também no aproveitamento desta forma de luminescência
Mas não existe evidência, que a função tela, que também é mencionada pelo estudo colocado acima (relativo à função óptica do prototorax), ajude a fêmea a visualizar o macho, pelo menos, por este supostamente aproximar-se pelo lado ventral...Pois o que tem sido observado no campo, tem sido geralmente um tipo de aproximação, pelo lado dorsal.


Nyctophila reichii macho


Segundo o que apresentei no International Firefly Meeting realizado em Gaia em 2007, esta espécie, pelo menos em Portugal,  realmente é das que se encontra mais frequentemente em zonas secas e em habitats com vegetação mais dispersa (será que dá suporte a uma função de pára-sol, pois as fêmeas desta espécie quase nunca são avistadas em meio florestal?).

Também falei da sua coloração conspicua, útil sobretudo em micro-habitats mais abertos, que poderá estar relacionada com uma estratégia anti-predatória.
A fêmea de N. reichii, tem um prototorax, de côres vivas e que contrasta normalmente com as cores presentes em redor, variando entre o laranja,  o salmão e o rosa, e por isso pode ter um papel adicional, na sinalização protetora do animal, avisando potenciais predadores da sua impalatibilidade e/ou toxicidade e prevenindo ataques, que poderão pôr em risco a vida do pirilampo, mesmo caso este seja rejeitado, após ser atacado.

Também tem-se observado opacidade e um bom desenvolvimento do prototorax em fêmeas de espécies e géneros, que preferem zonas mais húmidas ou escuras, ainda que realmente as fêmeas depois também apareçam a brilhar uma luz contínua em zonas abertas, como é o caso do género Lampyris.
Espécies com hábitos aparentemente mais subterrâneos, como é o caso do Phosphaenopterus metzneri, também têm fêmeas com prototorax opacos, contudo nunca foram vistas no exterior a brilhar para atrair um macho, e apenas foram observadas (em Maio de 2017) a produzir luminescência, enquanto se deslocavam, em repouso ou em caso de perturbação. Será que quando vêm à superfície, a viseira opaca ajuda-as a concentrar a visão, no lado ventral (protegendo-a de estímulos dorsais)? Não se sabe ainda.


Concluindo, penso que  presença de um prototorax grande e opaco, em certos géneros e espécies de Lampirídeos (mesmo que se considerem apenas as fêmeas), pode dever-se a várias motivos (mesmo além dos ópticos) sendo que cada um tem um peso diferente, consoante a espécie, o micro-habitat, o clima, etc...


Algumas analogias, quanto ao tipo de papel que o prototorax pode desempenhar, em Lampirídeos:







                         






                                           A juntar a estes e no caso específico da N. reichii:

                                                 
                                                    

                                                     

Thursday, September 21, 2017


Em Espanha, mais precisamente na Catalunha, crianças oriundas de diferentes partes do mundo, participaram numa instalação artística, evocadora da beleza dos vaga lumes, indo desde a preparação das luzes, à sua instalação e posterior remoção.
Numerosas pessoas juntaram-se para ver o fenómeno luminoso, durante a noite.

https://www.youtube.com/watch?v=YVpDe2SdBGI


.

Saturday, September 09, 2017



Documentário da BBC sobre bioluminescência, com David Attenborough:

https://www.youtube.com/watch?v=VNxYcsB_NoI

Cores da bioluminescência observada no documentário: verde, azul e amarelo.
Existem seres vivos a produzir mais cores, que penso que deviam ter referido, mas fora isso, está um documentário muito bom.

Aqui temos mais alguma variedade:

https://www.youtube.com/watch?v=IDa3PSPJIgA




Tuesday, August 15, 2017



For those that don´t understand Portuguese, there´s a «translate» option on the top part of your screen, (on the right side (where the website addresses usually appear written)), where you can opt to translate all the blog to English.
The automatically translated version usually is well understandable (though some text translations, may appear repeated).

Thanks, enjoy the place and feel free to comment in English, if you want.


Sunday, July 16, 2017


Blog sobre os vaga lumes (e outros seres luminosos) da Malásia:

https://malaysianfireflies.wordpress.com/

Com uma grande variedade de fotos, espécies, conhecimentos, reportagens... Espantoso!



Lampyris sp.






Por Mr. Neves (Viseu)


                                           

Variedade interessante de Lampyris iberica















Fotos tiradas em Julho de 2017.






Fotos tiradas em Julho de 2016 (região de Viseu)