Wednesday, July 23, 2014

Bioluminescência terrestre em Portugal (parte 2)



Em Portugal existem pelo menos 19 espécies de cogumelos bioluminescentes (tal cifra, poderá subir com o avançar da minha investigação).
Nas fotos está o Omphalotus olearius (uma das espécies mais comuns) que é um cogumelo luminoso, que surge sobretudo durante as chuvas do Outono e da Primavera.
Diz-se que costuma de crescer junto a troncos em decomposição de oliveira, mas também já foi encontrado junto a eucaliptos.
Chapéu pode chegar até 24 cms de diâmetro (ou mais) e tem uma cor que varia entre o amarelo-torrado e o laranja.
Himénio: Lâminas, amarelo a amarelo-torrado com tons alaranjados.
Pé: Alaranjado, que vai desde 3 a 10 cm de altura, com 1 a 3 centimetros de diâmetro, fibroso (superficie rugosa).
Não é comestível apesar de ter um aroma agradável.



                                                                    













Minhoca bioluminescente (Microscolex sp.). Tamanho variável, (até vários cms).
As minhocas bioluminescentes podem aparecer a brilhar, durante o tempo húmido (quando chove muito), junto à superfície dos solos. Preferem solos húmidos e ricos em matéria orgânica.















 
Centipedes bioluminescentes (Géneros Geophilus, Haplophilus, Lithobius, Strigamia, etc…)
As luzes são mais visíveis no Outono e na Primavera, sobretudo em zonas sombrias e húmidas.
Largam frequentemente um fluido viscoso, tal como as minhocas bioluminescentes,
mas também existem espécies que produzem bioluminescência ao longo de quase todo o corpo.
Côr da luz, disposição das luzes e tipo de brilho podem variar de acordo com a espécie.














Larvas de dípteros (géneros Platyura, Orfelia, Keroplatus, etc...), estão descritas como bioluminescentes (algumas, pelo menos, produzem luz azul) e fazem parte da fauna Portuguesa. Vivem em zonas escuras e húmidas, perto de troncos, cascatas, em alguns casos, em estreita relação com certas espécies de cogumelos.














Além dos pirilampos, estas são algumas das formas terrestres bioluminescentes, mais frequentes em Portugal. Quase nenhuma é de fácil observação, pois muitas delas só aparecem em determinadas alturas, só existem em determinados locais (restritas a microhabitats), e só evidenciam bioluminescência durante certas fases da sua vida 
Poderão existir mais géneros e espécies, mas estes estão são os que melhor se conhecem.

No caso de encontrarem alguns destes seres bioluminescentes ou de terem dúvidas, por favor, enviem-me um email para: livinglightfestival@gmail.com

Ajude a preservar a bioluminescência no nosso país.



Monday, July 21, 2014

Lampyris raymondi e Lampyris noctiluca


Mapa simplificado da distribuição geográfica recente (segundo os últimos relatos confirmados), para a espécie Lampyris raymondi (estatuto em avaliação).






Mapa simplificado da distribuição geográfica recente (segundo os últimos relatos confirmados), para a espécie Lampyris noctiluca.

Sunday, July 20, 2014

Beira-mar brilhante




                                             Microorganismos bioluminescentes



Tubarão-lanterna filmado a brilhar pela primeira vez



Aqui.


Desta vez não acenderam muito, mas já deu para ver alguma coisa.

Nesta foto, são visíveis 2 níveis distintos de intensidade luminosa:




















  Esta espécie também está presente nos mares Portugueses.










Guia de algumas espécies de pirilampos de Portugal

                                                              

Luciola lusitanica



A fêmea adulta é mais robusta que o macho, e apresenta os olhos menos desenvolvidos. Normalmente brilha (pisca) uma luz amarela no chão ou em cima de alguma planta/tronco, através de dois grandes órgãos luminosos.







O macho adulto normalmente pisca uma luz amarela, enquanto voa (através de 2 grandes órgãos luminosos) e tem os olhos bem desenvolvidos. Ambos os sexos têm o pronotum laranja e os élitros negros ou castanho-escuros.







A larva é geralmente castanha por cima, mais clara lateral e ventralmente, e brilha uma luz amarela atráves de 2 pontos luminosos no último segmento.










                                                       Lamprohiza mulsanti



A fêmea adulta de Lamprohiza mulsanti costuma de brilhar com uma luz contínua no chão ou em cima de algumas plantas e rochas. Apresenta cerca de 15 pontos luminosos (quantidade variável) ao longo do corpo e 2 luzes grandes e bem desenvolvidas nos últimos segmentos principais.








O macho adulto (no meio) tem élitros (e asas) bem desenvolvidos e voa.





A larva é castanho-escura dorsalmente e mais clara ventralmente.
Apresenta uma boa transparência na cutícula, para que as luzes sejam visíveis desde diferentes àngulos.
As luzes encontram-se distribuídas lateralmente ao longo do corpo.









                                                             

                                                                   Lamprohiza paulinoi




Lamprohiza paulinoi fêmea (em cima) e macho (em baixo) ambos adultos (autores das fotos: Fernando Romão e Mendes Matos, respetivamente).
Esta espécie presenta vários pontos luminosos (5-10) e 2 luzes grandes e bem desenvolvidas no sétimo e oitavo segmentos.




O macho tem élitros (e asas) bem desenvolvidos, voa e raramente se vê a brilhar (pode ser visto a voar com a luz sempre acesa).








A larva é castanho-escura dorsalmente e mais clara ventralmente
Apresenta alguma transparência na cutícula, para que as luzes sejam visíveis desde diferentes àngulos.
As luzes encontram-se distribuídas lateralmente ao longo do corpo.
Geralmente de maior tamanho que a L. mulsanti.









                                                                               Lampyris noctiluca




A fêmea adulta, não voa e normalmente brilha com uma luz contínua no solo ou em cima de plantas, rochas e troncos. Tem duas grandes  barras de luz no antepenúltimo e penúltimo segmento. 2 pontos de luz no último segmento.Tem tons castanhos escuros, mas pode ser rosada (lateralmente) quando tem uma constituição mais robusta.
A larva como podemos ver na fotografia acima (ao lado de uma fêmea adulta), é muito semelhante à larva de Lampyris iberica.

O Lampyris noctiluca macho adulto, normalmente apresenta um tom escuro uniforme.
Os élitros são uniformemente escuros.
O macho adulto, voa, tem grandes olhos, e brilha raramente (2 pontos de luz no último segmento).







                                                         Lampyris raymondi




A fêmea adulta de Lampyris raymondi (lado direito), não voa, e apresenta élitros vestigiais. As luzes desta espécie são idênticas às outras espécies do género Lampyris. 
O macho adulto (lado esquerdo), voa, tem grandes olhos, élitros rugosos e brilha raramente (2 pontos de luz no último segmento). Tem uma coloração semelhante ao macho de Lampyris iberica.. Ainda está para clarificar o estatuto desta espécie.





Larva de Lampyris raymondi (segundo a opinião de alguns investigadores). Em relação à Lampyris iberica e Lampyris noctiluca, apresenta dois pontos claros extra no pronoto, na parte frontal. Autor Hectonichus.







                                                        Lampyris iberica




Lampyris iberica: macho (acima) adulto normalmente apresenta 2 pontos claros no pronotum (capacete). Os bordos dos élitros são mais claros que o interior.

 O macho adulto, voa, tem grandes olhos, e brilha raramente (2 pontos de luz no último segmento).


   


  A fêmea adulta, não voa e normalmente brilha com uma luz contínua no solo ou em cima de plantas, rochas e troncos. Tem duas grandes  barras de luz no antepenúltimo e penúltimo segmento. Tem também 2 pontos claros, na base do pronotum («elmo» que protege a cabeça).
2 pontos de luz no último segmento.






Larva de Lampyris iberica. De côr negra na zona dorsal com pontos amarelos nas bordas inferiores dos segmentos corporais, e tons mais claros na zona ventral. Pode apresentar rosa, lateralmente.
Brilha através de dois pequenos órgãos luminosos, no último segmento. 









                                                       Nyctophila reichii





Nyctophila reichii: A fêmea adulta, de tons laranja e rosados, não voa e normalmente brilha com uma luz contínua no solo ou em cima de plantas, rochas e troncos. Têm geralmente duas grandes  barras de luz no antepenúltimo e penúltimo segmento, e 2 pontos de luz no último segmento.





O macho adulto, é algo semelhante aos machos do género Lampyris, mas normalmente de um castanho mais claro e o pronotum («capacete») tem um centro avermelhado com uma marca escura no meio.
O macho adulto, voa, tem grandes olhos, e brilha raramente, através de 2 pontos de luz.



Dorsalmente a larva apresenta uma côr escura, e lateralmente um tom rosa. Ventralmente os tons são mais claros e alternam entre rosa, branco e negro.
Brilho idêntico às larvas do género Lampyris, mas a posição dos órgãos é ligeiramente mais lateral.





                                                 

                                                Phosphaenus hemipterus

                                                                        





Macho adulto de Phosphaenus hemipterus.








Fêmea adulta de Phosphaenus hemipterus.

Espécie de pequeno tamanho (macho até 8 mm e fêmeas até 10 mm de comprimento), com hábitos diurnos, mas que mantém a capacidade de brilhar (através de um par de luzes verdes no último segmento).

Tanto machos, como fêmeas, não voam.





A larva de P. hemipterus, é pequena de formato estreito, escura em cima e de côr creme lateralmente. Brilha através de pulsares de luz verde, emitidos por 2 órgãos luminosos localizados junto à cauda.








                                                 Phosphaenopterus metzneri




O macho adulto tem um par de élitros mais desenvolvidos, do que o macho adulto de Phosphaenus hemipterus, espécie com a qual, mantém alguma proximidade física (não se sabe se os machos são voadores).
Ainda não se conhecem fotos de fêmeas adultas.
Espécie de pequeno tamanho, com hábitos diurnos, mas que mantém a capacidade de brilhar (através de um par de luzes verdes no último segmento).


A larva é semelhante à larva de Phosphaenus hemipterus e brilha de forma semelhante.
Fotos de Raphael de Cock.






                                              


                                              

                                                                  Pelania mauritanica




Foto encontrada de um macho adulto (segundo o autor). Não se conhecem fotos de fêmeas adultas ou larvas.
Espécie que aparentemente  tem uma distribuição bastante restrita ou apenas aparece em certos anos, no Sul do nosso país (presença irregular).
Larvas, machos e fêmeas adultos, possivelmente têm alguma semelhança física com os géneros Nyctophila e Lampyris. Diz-se que desovam dentro de formigueiros.





                                     




2 fêmeas adultas: a mais pequena e escura, é uma Lampyris iberica e a outra (mais clara com tons de rosados e alaranjados) é uma Nyctophila reichii.
Autor: Raphael de Cock.








Macho adulto de Lampyris noctiluca, ao lado de um macho adulto de Phosphaenus hemipterus (mais pequeno).








Eu e o Raphael de Cock produzimos o primeiro guia de pirilampos de Portugal (2006/2007), destinado a todo o tipo de público, pois uma das perguntas mais frequentes que tenho recebido ao longo dos anos, é como distinguir as espécies de pirilampos de Portugal...

Eu ainda não sei quantas espécies existem no total no nosso país, mas deixo aqui algumas notas simplificadas sobre as que conheço (pode clicar nas fotos para aumentar o detalhe). 

É um guia muito simplificado e acessível (pretendo colocar depois uma versão melhorada), mas parece-me que é o mais correto até agora. 

Qualquer dúvida, opinião ou reportagem de avistamento, envie-me uma mensagem para: livinglightfestival@gmail.com 

Mais detalhes sobre como, onde e quando encontrar pirilampos aqui .




Participe na investigação de bioluminescência marinha




Tenho recebido várias descrições de mar que brilha (seja quando se toca em algumas poças deixadas pela maré, quando se nada no mar, ou na rebentação das ondas) e mesmo até de areia que acende luzes quando se anda em cima.
Mais provavelmente serão microorganismos bioluminescentes (como dinoflagelados, por exemplo), que brilham com a sensação de movimento. É uma reação instantânea com objetivos anti-predatórios.
Também tenho recebido descrições de peixes, alforrecas e lulas que brilham. Por vezes estes animais, são encontrados em redes de pesca.
Portugal tem um território marítimo muito extenso. A ZEE engloba cerca de 1.727.408 km2 e existe uma grande probabilidade desta área aumentar, como pode ver aqui.
As suas águas são muito ricas e têm diversos tipos de ecossistemas diferentes. Regularmente se descobrem espécies novas. Todas as côres de luz diferentes produzidas por seres vivos que se conhecem, estão descritas na fauna marítima Portuguesa. A luz azul é a mais frequente.



Melanostomias sp.


                                                           
Lulas bioluminescentes



Aristostomias titmanni


                                                               
                                              Bioluminescência na rebentação das ondas.


                                       
                                                        Estrela do mar luminosa



Contamos também com a sua colaboração para a identificação dos seres marinhos que produzem bioluminescência. Envie por favor, os seus avistamentos (e/ou fotografias), para este email: livinglightfestival@gmail.com

Mais informações sobre o tema, neste blog:

Ajude a proteger os oceanos!



Friday, July 18, 2014

Lampyris iberica






Mapa simplificado da distribuição geográfica recente (segundo os últimos relatos confirmados), para a espécie Lampyris iberica.

Caminhada noturna para observação e descrição de pirilampos



Foi no passado dia 5 de Julho, desta feita no Algarve, mais concretamente na Fonte da Benémola.

Foi um sucesso, toda a gente estava entusiasmada (dos mais novos aos mais velhos) e os pirilampos (convidados especiais)  lá apareceram.

Gostei de ser guia de campo pela Almargem, obrigado a todos por tudo.


                                                  Antes da saída para o campo


                               
Benémola- Filipa R.

                                                                     
Benémola




http://www.almargem.org/index.php?option=com_simplecalendar&view=detail&catid=1:actividades&id=82:saida-de-campo-noturna-observacao-de-pirilampos


http://www.sulinformacao.pt/2014/06/almargem-promove-saidas-para-observar-borboletas-e-pirilampos/