Thursday, February 28, 2008

Phosphaenus hemipterus








                               Macho adulto



     Macho acabado de emergir do seu estado de pupa


Pupa de Lampyris!








Após terminar o seu crescimento a larva torna-se numa pupa.
Quando sente vibração no solo a larva brilha bastante, pois muitas das suas estruturas são translúcidas.
Normalmente a larva procura um local sossegado e abrigado para pupar pois é muito frágil durante essa fase.
Esta larva que foi fotografada conseguiu emergir uns dias mais tarde, sem qualquer problema. Veio a saber-se que era um grande macho.


Lamprohiza mulsanti








A transparência da sua cutícula (plano ventral e dorsal)  permite-nos ver à noite as suas luzes de todos os ângulos.

Todas estas 5 fotos foram tiradas a insectos do Parque Biológico de Gaia.





   Fêmea adulta de Lamprohiza mulsanti










   Macho adulto de Lamprohiza mulsanti


Phosphaenus hemipterus!












Aqui estão algumas fotos do esquivo Phosphaenus hemipterus.
Trata-se neste caso de um macho que encontrei no Norte de Portugal.
As antenas parecem estar sempre a sondar o ar, em busca de sinais odoríferos das fêmeas, pois este vaga lume tem comportamentos diurnos, ao contrário da maior parte das espécies de lampirídeos.
Esta é uma das únicas espécies que conheço, das mais de 2000 espécies de pirilampos, que tem comportamentos diurnos, mas macho e fêmea mantêm a sua capacidade luminosa até ao fim das suas vidas (provavelmente a par das espécies do género Phosphaenopterus).
Outro aspecto curioso é que não voam.
Acredita-se que mantêm a sua luz por razões anti-predatórias.


Wednesday, February 27, 2008

Fotos de Luciola lusitanica ( macho)




   O macho apresenta olhos bem desenvolvidos.




   A estrutura branca atrás é o seu órgão luminoso




   Pronto, para começar a voar.




   Em repouso.



  As fotos foram tiradas por José Manuel Grosso Silva a uns Luciola lusitanica que eu encontrei no        Norte do país.


Sunday, January 20, 2008

Fotos inéditas


Este blog apresenta, as primeiras fotos de sempre do comportamento luminoso de larvas de Luciola lusitanica, e do aspecto físico das larvas desta espécie.
As primeiras fotos de sempre de fêmeas e machos de Lamprohiza paulinoi (a primeira descrição sobre a bioluminescênca em machos, fêmeas e larvas de Lamprohiza paulinoi foi apresentada no International Firefly Congress, realizado em Junho de 2007, em Gaia) e do comportamento luminoso das larvas de Lamprohiza mulsanti.

Assim como mostrou ao mundo, as primeiras imagens de uma espécie nova para ciência encontrada em Portugal, em 2006. Este «novo» vagalume é do género Lampyris.







Tuesday, January 15, 2008

Projeto bioluminescência de Portugal: Pioneirismo e inovação.



Este projeto é considerado pioneiro, porque foi o primeiro a começar a estudar de forma exclusiva as espécies de vaga lumes e pirilampos, mas também diferentes fenómenos de bioluminescência em Portugal . O primeiro que se preocupou em inserir esta caraterística no campo da ecologia e do estudo comportamental. O primeiro, que em colaboração com particulares e serviços camarários, iniciou ações de sensibilização e conservação.
Apresentei, por isso mesmo, no Firefly Meeting Congress (21-25 de Junho de 2007) um trabalho, que foi o primeiro de sempre feito na área, pois albergou espécies nunca antes estudadas (nos respectivos capítulos abordados): «An introduction study on ecology, behaviour and habitat use of some Portuguese Lampyridae: Nyctophila reichii, Lamprohiza paulinoi  and Luciola lusitanica.»
Desde o início dos anos noventa, são registadas observações (inclusive com um relato completo da evolução de uma população de Lamprohiza paulinoi, antes e após o uso de pesticidas). O ano de 2008 avizinha-se prometedor, com mais voluntariado, com pedidos de revistas científicas para a publicação de artigos, com participações na rádio, etc...
O nosso projeto de investigação de bioluminescência de Portugal, com raízes no final dos anos 90, humildemente e dedicadamente é pioneiro e o único até agora, a estudar diferentes fenómenos luminosos (produzidos por seres vivos), em Portugal.
Acreditamos também que a sua existência é benéfica para todos e que ajuda a preservar a Natureza.



Reportagem com a sua colaboração



Tenho recebido algumas informações de avistamentos de vaga lumes e outros seres luminosos (mesmo até marinhos).

Relanço aqui o assunto. Quem viu algum, por favor, envie-me um mail, pm ou até um «comment».

Tente enviar uma resposta que responda às seguintes questões:


1- Local e hora do avistamento. ( o mais pormenorizado que poder indicar, melhor).


2- Condições atmosféricas ( se estava a chover, húmido, seco, calor ou outros...)


3- Condições de luminosidade do local ( tinha iluminação artificial perto, longe ou nenhuma, se sim de que côr era a luz).


4-Que tipo de luz emitia o pirilampo? Côr? Piscava ou mantinha-se sempe acesa? Pulsares?


5- Em que habitat estava o pirilampo? Floresta, campo, berma de caminho, etc... Diga-nos também se souber em que plantas o animal estava poisado ou a sobrevoar.


6- Por fim diga-nos o que é que o vaga lume estava a fazer? A comer, a acasalar, a descansar, a andar, a voar, etc...



As suas informações são muito importantes, pois muito pouco se sabe sobre estes animais misteriosos.
Em muitos locais se assiste a diminuição notória dos seus números e assim se vai perdendo um dos maiores espetáculos da natureza.


Friday, December 28, 2007

Cogumelos brilhantes




   Uma perspetiva diferente....



    Cogumelos brilhantes a crescer num ramo






   Mainichi Shimbun









  Foto de Rodrigo Baleia



  Como já foi afirmado a bioluminescência chega também ao mundo dos fungos.


  Em Portugal também existem cogumelos bioluminescentes, que são, às vezes, visíveis em locais        frescos e em noites húmidas, nomeadamente em florestas de folha larga.

  Fonte


Factos sobre a bioluminescência


                         Oligoquetas luminosas



A bioluminescência como a conhecemos é produzida de forma bioquímica por fungos, bactérias e animais.

As côres conhecidas até agora são azul, verde, amarelo, laranja, vermelho, rosa e roxo.

Têm a maior profusão nos oceanos.

Peixes, moluscos, equinodermes, crustáceos, cnidários, plancton (entre outros) produzem luz.

Em água doce, existem alguns casos, como em algumas larvas de vaga lume que têm uma vida aquática e depois regressam ao ambiente terrestre para construir um casulo e tornarem-se adultas, no caso de um gastrópode aquático (Latia neritoides) da Nova Zelândia e algumas batérias parasitas que provocam a «doença luminosa» em alguns artrópodes aquáticos.

Em terra existe uma espécie de caracol luminoso, na Malásia (Quantula striata), existem milipedes, centípedes, oligoquetas (minhocas), fungos (cogumelos), nemátodes e entre os insetos existem colêmbolos, baratas, alguns Dípteros, e pelo menos 4 famílias de escaravelhos (Staphylinidae, Lampyridae, Phengodidae e Elateridae), também conhecidos vulgarmente por pirilampos ou vaga-lumes..




Thursday, December 27, 2007

Vaga lumes: variedade e caraterísticas



2 larvas de Lamprohiza mulsanti em plena escuridão.
A luz está a ser observada lateralmente, mas sobretudo dorsalmente.



Existem 4 famílias principais de pirilampos (Elateridae, Staphylinidae, Lampyridae e Phengodidae) além de que alguns Diptera são também conhecidos por pirilampo na Austrália.
Em Portugal conhece-se os Lampyridae (todos são luminosos), Elateridae (não se sabe ainda se alguma espécie será produtora de luz) e alguns Diptera que são bioluminescentes.
Existem por todo o mundo mais de 2000 espécies de vaga lumes, sendo que no Brasil é onde existe a maior variedade. Muitas espécies estão ainda por identificar.
A luz dos vaga lumes é produzida através de um processo de oxidação de uma molécula de luciferina. Esta ao oxidar (reagir com o oxigénio), dá origem à oxiluciferina (que é uma molécula energizada) em presença de ATP (trifosfato de adenosina), e quando esta molécula se desactiva ou perde a sua energia passa a manifestar-se sob a forma de luz. Esta é uma luz fria, ecológica e ultra-eficaz, pois tem uma eficácia de 95%-100% enquanto uma lâmpada normal, apenas tem uma eficácia de cerca de 5% e ainda por cima liberta sob a forma de calor, a energia desperdiçada.
Para produzir uma lâmpada normal, são precisos cerca de 300kgs de carvão, o que requer a utilização de uma grande quantidade de recursos naturais.
A luz dos pirilampos tem objetivos diferentes consoante a situação, servindo para: atração para acasalamento, alerta contra predadores, comunicação entre os machos e até para atrair caça.
As côres conhecidas até hoje variam entre o azul, o verde, o laranja o amarelo e o vermelho.
Entre estas côres observam-se variantes diferentes e algumas espécies apresentam luzes de côres diferentes (Phengodidae).


Saturday, November 24, 2007

Medusas brilhantes




Fotografia tirada no escuro a uma medusa bioluminescente (Atolla sp.) por E. Widder.


http://www.youtube.com/watch?v=CG7Cf2EgJq4


Vídeo de medusa em que se pode ver a sua fantástica luz.

Fonte: http://oceanexplorer.noaa.gov/explorations/05deepscope/background/eyeinsea/eyeinsea.html


Saturday, November 17, 2007

Phosphaenopterus metzneri !!






Esta espécie é muito rara a nível mundial, sendo conhecida em Portugal até agora, apenas na Serra de S. Mamede e na Serra do Marvão.
A foto acima foi tirada no mesmo local onde foi encontrado o P. metzneri.

Não existe qualquer descrição sobre o tipo de habitat em que esta espécie é encontrada, por isso e como já tive a felicidade de encontrar uma larva (e é a primeira vez que se faz uma menção sobre as larvas desta espécie), vou então fazer uma primeira e muito resumida (para já) descrição do achado: Foi numa noite estrelada de Julho de 2007, que na margem de um ribeiro local, por entre folhas caídas de choupo, vi uma larva de Phosphaenopterus metzneri a luzir (pouco depois da meia-noite).
A vegetação local é constituída por choupos (Populus sp), silvas (Rubus fruticosus), fetos-comuns (Pteridium aquilinum), entre outras plantas.
Os pulsares luminosos da larva apresentam uma côr verde intensa e são semelhantes aos da espécie Phosphaenus hemipterus.




Monday, November 12, 2007

Mar brilhante!




Como se pode ver nesta imagem de satélite, onde a noite já está a cair, (as luzes das cidades já são visíveis do espaço, assim como no canto inferior esquerdo... O mar!). Este fenómeno para ser visível a esta distância é porque tem dimensões colossais (até centenas de kms!).

Existem mais locais do mundo onde isto já foi observado como em Porto Rico, na Califórnia, em Portugal (na baía de Sesimbra e nos Açores, por exemplo), e aqui nesta imagem, no Índico, mais perto da costa da Somália.

Certos seres microscópicos bioluminescentes têm uma explosão populacional sempre que condições muito particulares de temperatura, salinidade, nutrientes e oxigénio coincidem.

link:http://www.lifesci.ucsb.edu/~biolum/organism/milkysea.html


O insólito revela-se!




Existe um peixe mistério (Aristostomias sp.), nas profundezas do mar, que utiliza luzes de côres diferentes (azul, verde e vermelha). Possue pequenos fotóforos vermelhos que iluminam várias partes do corpo, como se de uma constelação de estrelas vermelhas se tratasse. Não se sabe o porquê da luz vermelha, quando no fundo do mar a luz verde-azul é que a penetra mais na água e por isso é das mais vulgarmente utilizadas. Pensa-se que utiliza a luz vermelha ( que está situada junto ao olho) para utilizar um campo visual que não é usado pelas suas presas e assim poder vê-las sem ser visto. Mas numa análise ao olho deste peixe, revelou que afinal ele apenas capta a luz verde-azul. Assim foi possível constar que este peixe tem uma molécula no olho, qual pigmento de antena, que tal como a clorofila absorve a energia da luz vermelha, transferindo assim essa energia para os pigmentos visuais, apenas sensíveis à luz verde e azul e sendo assim utilizável pelo peixe. Com isto o peixe luminoso apresenta luz vermelha (invisível para as suas presas) mas no seu olho converte-a em azul tornando-se as presas visíveis para si! As semelhanças com a clorofila, são interessantes: estas moléculas não só absorvem energia dos fotóns como até são derivadas da clorofila.
Existem mais espécies de peixes a utilizarem luz vermelha de forma semelhante e várias estão presentes nos mares Portugueses.




Link: http://www.lifesci.ucsb.edu/~biolum/

Peixe brilhante



Peixe luminoso de profundidade (Melanostomias sp.).
Este género, está presente em Portugal.


Friday, November 09, 2007

A famosa lula vagalume



Aqui vê-se um exemplar a apagar as suas luzes, embora as luzes das ponta dos tentáculos quais lanternas ainda se mantêm acesas.



Aqui pode-se a ver um exemplar a utilizar quase em pleno as suas espantosas capacidades luminosas!


Monday, November 05, 2007

Poluição luminosa

O excesso de poluição artificial luminosa em algumas regiões urbanas e semi-urbanas, impede numerosos fenómenos naturais de ocorrerem ou de se tornarem visíveis. Entre os quais, vaga lumes,  estrelas e auroras boreais...


Friday, October 26, 2007

Insólito: ovos de vaga lume




  Ovos de vaga lume prestes a eclodir.


  Os ovos de vaga lume também brilham.

  Fotos de Chosetec.



Tuesday, October 16, 2007

Bioluminescência no mar



Em Portugal existem condições muito boas para a existência de seres luminosos marinhos.
Fenómenos de mar brilhante (devido a microorganismos luminosos) são visiveis à superficie, por exemplo, na zona de Sesimbra.
Em zonas de mar muito profundo, (partir dos 1000 metros) surgem variadas formas bioluminescentes.
Tendo em conta que várias zonas da nossa área marinha, contêm estas profundidades e são muito ricas em nutrientes, é possível observar em Portugal diversas espécies de seres luminosos.


Vídeos sobre pirilampos



A primeira filmagem de sempre que conheço de.Phrixotrix hiatus (?):

http://www.youtube.com/watch?v=vOuwCF61hUs

Mais:

http://www.youtube.com/watch?v=wons2Wa98BQ


http://www.youtube.com/watch?v=30UgxoMIcps


http://www.youtube.com/watch?v=Il_In43LaS8


http://www.youtube.com/watch?v=mjvIBTMxuE0


https://www.youtube.com/watch?v=ebuSeK7Y7F8


Insectos que produzem luz azul


Em Portugal existem insectos (Diptera) que evidenciam bioluminescência azul, no estado larvar.

Estas espécies vivem em zonas húmidas, escuras, como em troncos de árvores caídas.

Espécies do género Keroplatus e Orfelia, que comprovadamente existem no nosso país, através da apanha de exemplares adultos, apresentam uma luz azul enquanto larvas.






Wednesday, October 03, 2007

Isso é um vaga lume!



http://www.youtube.com/watch?v=P1xw3lfW6cw



Quais os efeitos da poluição luminosa nos pirilampos?



A poluição luminosa provocada por um uso excessivo e descontrolado da luz pelo Homem interfere de forma direta na vida dos vaga-lumes, pelas seguintes razões:

- As larvas utilizam luzes como sinal de aviso para não serem predadas. Se a sua luz, tornar-se menos perceptível devido ao excesso de luz ambiente ( neste caso artificial), os seus sinais defensivos deixam de ser compreendidos, e podem assim ser atacadas e mesmo quando rejeitadas, podem ficar feridas de morte.

- Os adultos comunicam-se através de sinais luminosos. Com muita iluminação, deixam-se de ver e assim não poderão acasalar, pois os machos ficam sem ser saber onde estão as fêmeas.
Algumas fêmeas, uma vez confrontadas com muita luz, refugiam-se em locais, escuros e abrigados, recolhendo-se por vezes, no seu abrigo subterrâneo. Assim ficam impedidas de se reproduzir.

Neste pequeno vídeo vê-se isso mesmo a acontecer:

http://www.youtube.com/watch?v=XnHXSlgO6FE





Contra a poluição luminosa




A poluição luminosa além de nos impedir de ver os céus estrelados, interfere nos ciclos vitais das plantas e dos animais. A nível económico um grande gasto é feito através de emissões excessivas de luz que se escapa para o espaço (sem sequer ser utilizada).


Assim algumas pessoas têm demonstrado esforços para inverter esta tendência, como se pode ver neste site:

http://www.darksky.org/


Rota Dark Sky Alqueva:

http://www.darkskyalqueva.com/a-rota/




Site dos pirilampos (inglês)



http://www.galaxypix.com/glowworms/


Monday, September 10, 2007

Notas sobre Setembro e o International Firefly Congress em Portugal




O mês de Outubro representa o fim da estação dos adultos em Portugal.
Tanto quanto se sabe, é neste mês que os últimos machos e fêmeas ainda surgem (na primeira quinzena).
A maior parte dos pirilampos po esta altura, está em ovo ou já nasceu e neste momento encontram-se debaixo do solo, de pedras ou de densos arbustos.
Conforme a região e o micro-habitat, estão relativamente ativas as jovens larvas.
Isto é, com mais humidade, ficam ativas, com menos humidade, ficam quase em estado de dormência (esperando pelas chuvas) em algum recanto húmido.
 Com as primeiras chuvas, a maior parte irá sair dos seus esconderijos e caçar na superfície do solo. Aí poderão ver-se bonitos espetáculos de luz, conforme claro, a região e a espécie.
Em Portugal já se contam mais de 10 espécies de pirilampos e ainda se está no início. Antes deste projeto iniciar-se, apenas se contavam 6 ou 7 espécies.

International Firefly Congress in Portugal (21-25 June of 2007):

Este ano houve um encontro internacional em Gaia, no qual dei uma palestra sobre algumas espécies de pirilampos de Portugal, a primeira de sempre sobre o assunto: «An introduction study on ecology, behaviour and habitat use of some Portuguese Lampyridae: Nyctophila reichii, Lamprohiza paulinoi  and Luciola lusitanica.»

Referências dos Media sobre o evento:

http://www.rtp.pt/noticias/pais/pirilampos-atraem-50-investigadores-internacionais-a-gaia_n46324


Internacional:

http://fireflies.sitefun.be/

http://fireflies.sitefun.be/symposia/2007/participants.htm







Fêmeas de Nyctophila reichii.
Esta foto foi tirada no Algarve em Julho de 2007, por José Luís Simões.





Fêmea adulta de Lampyris sp. a brilhar em Coimbra.






Foto de uma fêmea adulta de Lamprohiza sp.
Clique na foto para aumentar o detalhe.











Foto tirada por mim com o tlm a uma fêmea adulta  de Lamprohiza paulinoi.
Vê-se o reflexo da luz na vegetação.
Loures, 06.05.2007




Imagens



Foto tirada por Raphael de Cock na Serra de Montesinho (Julho de 2006).
A fêmea que vemos no lado direito é de uma espécie de Lampyris ( por identificar).
No centro está um macho adulto de Nyctophila reichii.



Lamprohiza splendidula (presente em Portugal?).





No manto escuro da floresta, aparecem luzes de pirilampos. Quando a zona é escura, mesmo antes do anoitecer, já começam a brilhar.


Tuesday, August 14, 2007

Luminescência em larvas e adultos de Luciola sp. (Portugal)

Fotografada  pela primeira vez (com o telemóvel...) a luz de larvas de Luciola  (Portugal), pode-se ver que apresenta (pelo menos a olho nú), uma luz amarela intensa, algo invulgar, pois a esmagadora maioria dos pirilampos em todo o mundo (das mais de 2000 espécies conhecidas) durante a fase larvar apresenta uma nítida luz verde (a olho nú). 
Mas as tonalidades que influenciam o amarelo durante o brilho da larva de Luciola variam aparentemente (quando observadas a olho nú e tal aspeto é aparentemente corroborado por filmagens), aparecendo por vezes verde e até laranja.


Alteração realizada em 2018:

Órgãos luminosos de Luciola lusitanica (?), segundo Papi (baseando-se nas populações presentes em Itália):


                                                  Macho adulto (esquerda) e fêmea adulta



Órgãos luminosos de Luciola lusitanica (?), segundo Gonçalo Figueira (baseando-se nas populações presentes no Centro de Portugal):


Macho adulto (esquerda) e fêmea adulta


Como se pode ver, existe, aparentemente, uma notória diferença nas fêmeas adultas, o que me leva a crer, que podem tratar-se de espécies distintas (a não ser que haja algum lapso na descrição de Papi, mas não me parece, pois pode-se ver uma autofotografia às luzes da fêmea de Luciola encontrada em Itália a confirmar a configuração dada acima).
 No encontro internacional dedicado aos pirilampos, realizado em Gaia (2007), durante a minha apresentação eu indiquei (assim (aqui) de forma resumida) que a espécie presente em Portugal, possue (no caso das fêmeas) luminescência em 2 (grandes) órgãos luminosos, formando 2 barras.
A bioluminescência das fêmeas adultas de Luciola que existem no Centro de Portugal, já foi filmada por mim (e posso enviá-la a quem quiser): a luminosidade apresenta-se bem visível na área indicada acima, confirmando as observações feitas antes de 2007.
Papi assim como posteriormente Bonaduce, A. e Sabelli, B. suspeitam que na Itália Luciola lusitanica e Luciola italica são a mesma coisa (apenas sendo variedades distintas da mesma espécie) não referindo quaisquer diferenças no aparelho luminoso.

Mas a diferença que tenho apontado nos órgãos luminosos das fêmeas (relativamente ao que tem sido encontrado em Portugal e Itália), também possivelmente se estende aos machos, mas curiosamente, no plano dorsal:


Macho de Luciola lusitanica João Luis Teixeira (PBG, Portugal)

Macho de Luciola lusitanica  (João Luis Teixeira, PBG. Portugal).


                                 Macho de Luciola lusitanica (Pierre Gros, França).


                                 Macho de Luciola lusitanica (Pierre Gros, França).


                                 Macho de Luciola lusitanica (Dragisa Savic, Sérvia).


Como se pode verificar nas fotos, no caso da França e da Sérvia, a cutícula (do lado dorsal) aparentemente, apresenta-se algo opaca e com um pigmento escurecido, sobre um dos segmentos que são dotados de órgãos luminosos, enquanto no caso de Portugal, é apresentada, na mesma estrutura,  uma despigmentação da cutícula (do lado dorsal), permitindo uma maior transmissão da luz para o dorso.
Com esta descrição, tornam-se pertinentes duas questões: quantas espécies de Luciola existem afinal na Europa e será que se pode ainda dizer que a espécie de Luciola que existe em Portugal é a mesma que existe em França, Itália, Sérvia e em mais alguns países?
E já agora, será que todos os insetos designados vulgarmente de Luciola lusitanica, no nosso país, pertencem à mesma espécie?
Parece-me que se vai fazer um estudo comparativo detalhado (à anatomia e genética, por exemplo), e neste momento já estou a participar num estudo genético, que inclue «Luciola» de Portugal (e esperemos, de mais países europeus)!



Tuesday, April 10, 2007

A relação entre o Homem e o vaga-lume no nosso planeta



O Homem desde há milhares de anos que se sente fascinado por estes maravilhosos insetos luminosos.
Na selva sul-americana, por exemplo, os índios usavam-nos e ainda usam como objetos de adorno  (tipo colares) e para poderem ver melhor à noite (como lanternas).
Na Idade Média, em Inglaterra, como eram muito abundantes nesse tempo, eram usados como tochas.
Na China as crianças pobres quando não tinham luz para lerem os livros da escola (à noite) utilizavam a luz dos vaga-lumes.
Existe um monumento que menciona os pirilampos ou vaga-lumes, como um dos animais que tiveram um papel importante na primeira guerra mundial, ao permitirem aos soldados ler com a sua luz, mapas estratégicos, na escuridão da noite.
No Japão os pirilampos são associados a equilíbrio e harmonia entre o Homem e os outros seres vivos, pois são eles os «mensageiros».
Na Ciência são muito tidos em conta devido a sua eficiência luminosa e ao papel que têm na saúde dos ecossistemas naturais, pois como predadores (são estritamente carnívoros na maioria das espécies) que são, posicionam-se como os melhores bioindicadores pois acumulam as substâncias contidas nas suas presas.
Na Agricultura, como predadores de possíveis pestes agrícolas, têm um papel também biocontrolador, poupando milhares e milhares de euros todos os anos, em prejuízos agrícolas, de forma eficiente e limpa ao contrário dos pesticidas que poluem e podem ser bastante tóxicos. Assim no Nepal e na Nova Zelândia, foram e são ainda utilizados na agricultura biológica.
Na cultura: no Japão os pirilampos são associados a equilíbrio e harmonia entre o Homem e os outros seres vivos, pois são eles os «mensageiros» Em certas comunidades (Japão, UK, Nova Zelândia, Austrália) várias pessoas juntam-se, convivem e participam em excursões para observar pirilampos. Os vaga lumes têm assim também um papel lúdico e estreitam os laços dentro da comunidade.
Na poesia (não só Ocidental, como Oriental e até Tribal) existem várias referências aos pirilampos e para as crianças, poucos animais mexem mais com a curiosidade e com o mundo de sonhos, do que os vaga lumes!
Os pirilampos representam assim vários realidades paralelas, para os seres humanos.



Friday, March 23, 2007

Internacional


Desde Kitakyushu, Japão.

No Japão, em uma região rural de Kitakyushu, muitas pessoas começaram a ficar doentes e algumas morreram . Nesse dado momento, os pirilampos também começaram a desaparecer. Toda a comunidade local  ficou preocupada com essa situação e decidiu investigar o que estava matar os pirilampos e as pessoas. Não durou muito tempo, até se aperceberem que era a poluição do rio Kokumano que estava não só a poluir as culturas que eram irrigadas (com as suas águas) mas também a destruir a fauna e flora locais.
Antes de tal acontecer, esta região era um «paraíso», em que as pessoas iam pescar ao rio, admirar as luzes dos pirilampos e o canto das aves.
A partir dos anos 60, as condições começaram a degradar-se, o rio recebeu descargas poluentes da indústria local. Uma floresta mais perto da sua nascente foi totalmente abatida e as chuvas arrastaram assim os desprotegidos solos e encheram o rio de lama.
Nos anos 70, iniciou-se uma campanha: grupos de mulheres, idosos e crianças juntaram-se para plantar vegetação nas suas margens, para retirar o lixo e educarem a população para a questão da poluição. Admirada e sensibilizada, a Administração da cidade de Kitakyushu reagiu e colocou um sistema de desvio de águas, que direcionava a água dos desperdícios urbanos para fora do rio, indo para uma zona de tratamento de águas residuais.
1200 larvas de pirilampo foram libertadas nos anos 80 pela Sociedade de estudo de pirilampos. Apenas 20 emergiram como adultos.
Mas as notícias de que os pirilampos estavam de volta,  espalharam-se rapidamente!
Posteriormente, procedeu-se a um processo de «naturalização» das margens do rio, em que foi reconstruído o habitat com pedras, com a plantação de vegetação nativa local e foi feito o nivelamento das margens do rio.
Em 1981, foram observados 300 pirilampos adultos perto do rio Kokumanu.
Eventos culturais, festejaram o sucesso desta iniciativa, criando o Festival dos Pirilampos, que em Junho de 1981, atraíu mais de 10.000 pessoas.
Devido a estas ações, tal situação atraíu investimentos de empresas que doaram ajudas para a reabilitação ambiental desta região. Agora já atrae mais de 40.000 pessoas!
O renascimento e reaparecimento dos pirilampos, tornou vivo o sucesso da proteção ambiental e juntou as pessoas num movimento ambiental e cultural, sem precedentes.
As aves voltaram, os peixes e os pirilampos também. As árvores crescem verdes e fortes.
O pirilampo tornou-se o símbolo no Japão, de união e harmonia entre o Homem e outros seres vivos.



Pirilampos estão de volta a Kitakyushu